ENTRE(LINHAS) DE NÓS: A ESCRITA DO TRAUMA ENTRE A PSICANÁLISE, O DIREITO E A VIOLÊNCIA CONTRA MENINAS E MULHERES EM UMA SOCIEDADE FALOCÊNTRICA
Abstract
Resumo: O estudo propõe uma reflexão sobre a escrita do trauma e suas implicações na compreensão da violência contra meninas e mulheres, articulando os campos da psicanálise, do direito e dos estudos de gênero. A pesquisa, de natureza bibliográfica e baseada em revisão de literatura, tem como objetivo analisar de que modo o pensamento lacaniano pode contribuir para a leitura crítica do sofrimento psíquico decorrente da violência de gênero em uma sociedade falocêntrica. Parte-se da hipótese de que a psicanálise, especialmente a partir de Lacan, ao reler Freud, oferece instrumentos teóricos capazes de problematizar o lugar do sujeito feminino diante do simbólico e da lei. Ao mesmo tempo, reconhece-se que o sistema lacaniano, marcado pelo falocentrismo, ainda suscita resistência dentro do feminismo. A análise de autoras e autores como Adeodato (2005), Silva (2006) e Villela et al. (2011) evidencia que as violências sofridas geram impactos físicos e psicossociais profundos, frequentemente tratados apenas em suas consequências clínicas, e não como eventos ainda presentes. Conclui-se que a articulação entre psicanálise e direito pode contribuir para repensar o tratamento da violência de gênero, deslocando o foco da patologização dos sintomas para a escuta e o reconhecimento do trauma como experiência histórica e política. Palavras- chave: Psicanálise; Feminismo; Trauma; Violência de Gênero; Falocentrismo. Resumen: El estudio propone una reflexión sobre la escritura del trauma y sus implicaciones en la comprensión de la violencia contra niñas y mujeres, articulando los campos del psicoanálisis, el derecho y los estudios de género. La investigación, de carácter bibliográfico y basada en una revisión de la literatura, tiene como objetivo analizar de qué modo el pensamiento lacaniano puede contribuir a una lectura crítica del sufrimiento psíquico derivado de la violencia de género en una sociedad falocéntrica. Se parte de la hipótesis de que el psicoanálisis, especialmente a partir de Lacan y su relectura de Freud, ofrece herramientas teóricas capaces de problematizar el lugar del sujeto femenino frente a lo simbólico y la ley. Al mismo tiempo, se reconoce que el sistema lacaniano, marcado por el falocentrismo, continúa generando resistencia dentro del feminismo. El análisis de autoras y autores como Adeodato (2005), Silva (2006) y Villela et al. (2011) evidencia que las violencias sufridas producen impactos físicos y psicosociales profundos, frecuentemente tratados solo en sus consecuencias clínicas y no como eventos aún presentes. Se concluye que la articulación entre psicoanálisis y derecho puede contribuir a repensar el abordaje de la violencia de género, desplazando el enfoque de la patologización de los síntomas hacia la escucha y el reconocimiento del trauma como experiencia histórica y política. Palabras clave: Psicoanálisis; Feminismo; Trauma; Violencia de Género; Falocentrismo.
Fields of Study & Subjects
Psychoanalysis and Social Critique
Psychoanalysis
Philosophy
and Politics
Gender and Feminist Studies
Publication details
- Journal / source
- Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
- Publication date
- 26 January 2026