MULHERES NA AGRONOMIA: O MACHISMO ESTRUTURAL QUE PERMEIA A REALIDADE DAS PROFISSIONAIS

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Authors: Rayssa Ferreira de Freitas, Freitas Angélica Ferreira de
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Abstract

Resumo: O caminho para chegar à atuação profissional é marcado pela formação acadêmica e pela expectativa em relação ao mercado de trabalho, porém é visível que esse percurso não ocorre de forma homogênea entre as pessoas, sendo permeado por desigualdades sociais, especialmente de gênero. De modo que, no tocante à profissionalização, o gênero passa a ser central para a sustentação da organização do trabalho, historicamente favorecendo os homens em detrimento das mulheres. Tal dinâmica sustenta e (re)produz desigualdades por meio da divisão sexual do trabalho, compreendida como uma forma de organização social baseada em relações de poder entre os gêneros. Diversos estudos têm evidenciado a persistência das desigualdades de gênero em distintos setores do mercado de trabalho. Ademais, ainda que transformações culturais e organizacionais tenham possibilitado, nas últimas décadas, a inserção crescente de mulheres em ocupações tradicionalmente masculinas, como na segurança pública, no transporte por aplicativo e no mercado financeiro, permanecem estereótipos profissionais fortemente associados a uma herança patriarcal. Nesse cenário, o agronegócio destaca-se como um dos setores historicamente masculinizados. Embora existam pesquisas que evidenciem a atuação feminina nesse campo, observa-se que poucas aprofundam a análise das desigualdades de gênero a partir de uma perspectiva teórica feminista; pesquisas nacionais desnudam a existência de desigualdades na trajetória profissional de mulheres agrônomas. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar como o machismo estrutural se manifesta na atuação profissional de mulheres na Agronomia, investigando os desafios enfrentados no acesso, na permanência e no reconhecimento no mercado de trabalho. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico, fundamentada em estudos sobre gênero, trabalho e divisão sexual do trabalho. Os resultados indicam que, apesar dos avanços na inserção feminina no setor, persistem práticas discriminatórias e barreiras visíveis e invisíveis que limitam o pleno reconhecimento profissional das mulheres agrônomas e de suas excelentes capacitações. Conclui-se que o enfrentamento dessas desigualdades exige não apenas mudanças institucionais, iniciadas desde as instituições em que essas profissionais são formadas, junto aos colegas homens, mas também transformações culturais profundas no interior do agronegócio, passando a reconhecer que as mulheres não só podem como devem ocupar esses lugares, pois são mais do que capazes de desempenhar funções de grande destaque. Palavras- chave: Gênero; Agronomia; Machismo estrutural; Mercado de trabalho; Divisão sexual do trabalho. Abstract: The path toward professional practice is shaped by academic training and expectations regarding the labor market; however, it is evident that this trajectory does not occur homogeneously among individuals, as it is permeated by social inequalities, especially gender inequalities. Thus, with regard to professionalization, gender becomes central to sustaining the organization of work, historically favoring men to the detriment of women. This dynamic sustains and (re)produces inequalities through the sexual division of labor, understood as a form of social organization based on power relations between genders. Numerous studies have evidenced the persistence of gender inequalities across different sectors of the labor market. Moreover, although cultural and organizational transformations have enabled, in recent decades, the growing insertion of women into traditionally male-dominated occupations, such as public security, ride-hailing transportation, and the financial market, professional stereotypes strongly associated with a patriarchal legacy persist. In this context, agribusiness stands out as one of the historically masculinized sectors. Although there are studies that highlight women's participation in this field, few deepen the analysis of gender inequalities from a feminist theoretical perspective; national research exposes the existence of inequalities in the professional trajectories of women agronomists. Therefore, this study aims to analyze how structural sexism manifests in the professional practice of women in Agronomy, investigating the challenges faced in access, retention, and recognition in the labor market. The research adopts a qualitative, bibliographic approach, grounded in studies on gender, work, and the sexual division of labor. The results indicate that, despite advances in women's insertion into the sector, discriminatory practices and visible and invisible barriers persist, limiting the full professional recognition of women agronomists and their excellent qualifications. It is concluded that confronting these inequalities requires not only institutional changes, beginning in the institutions where these professionals are trained alongside male colleagues, but also profound cultural transformations within agribusiness, recognizing that women not only can but should occupy these positions, as they are more than capable of performing highly prominent functions Keywords: Gender; Agronomy; Structural sexism; Labor market; Sexual division of labor.

Fields of Study & Subjects

Employment Labor and Gender Studies Gender and Feminist Studies Gender Diversity and Inequality

Publication details

Journal / source
Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
Publication date
27 January 2026