Pro-Oncologia Preventiva: Estratificação de Risco Cardiovascular Pré-Tratamento e Novas Ferramentas de Predição na Era das Terapias Alvo-Específicas

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Authors: Camilo Fernández Bravo
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Abstract

Resumo O sucesso das terapias oncológicas modernas elevou a sobrevivência dos pacientes, mas trouxe à tona a "segunda doença": a toxicidade cardiovascular. Este artigo detalha os novos protocolos de avaliação basal, as ferramentas de estratificação de risco desenvolvidas pela HFA-ESC e ICOS, e a importância da vigilância personalizada baseada no perfil de risco individual antes da exposição a agentes cardiotóxicos. 1. Introdução: O Novo Cenário da Cardio-Oncologia A cardiologia e a oncologia não são mais disciplinas isoladas. O conceito de Baseline Cardiovascular Risk Assessment (Avaliação de Risco Cardiovascular Basal) tornou-se o padrão-ouro para prevenir a disfunção cardíaca relacionada à terapia do câncer (CTRC). O objetivo não é impedir o tratamento do câncer, mas sim "preparar o coração" para suportá-lo. 2. As Ferramentas HFA-ICOS: Estratificando o Risco A colaboração entre a Heart Failure Association (ESC) e a International Cardio-Oncology Society resultou em ferramentas de ponta (procedimentos operacionais padrão) que categorizam os pacientes em risco Baixo, Moderado, Alto ou Muito Alto. Domínios de Avaliação A estratificação baseia-se em cinco pilares fundamentais: 1. Histórico de Doença Cardiovascular: Presença de IC, doença coronariana ou valvopatias. 2. Biomarcadores Cardíacos: Níveis basais de Peptídeo Natriurético (BNP/NT-proBNP) e Troponinas. 3. Dados Demográficos e Comorbidades: Idade, tabagismo, diabetes, hipertensão e obesidade. 4. Tratamentos Oncológicos Prévios: Exposição anterior a antraciclinas ou radioterapia torácica. 5. Tipo de Terapia Planejada: Potencial cardiotóxico específico da nova droga (ex: Inibidores de HER2, Inibidores de Checkpoint Imunológico, Anti-VEGF). 3. Avaliação Multimodal de Imagem O ecocardiograma com Strain Longitudinal Global (SLG) é a ferramenta preferencial no baseline. • Vantagem do SLG: Detecta alterações na mecânica miocárdica antes que a Fração de Ejeção do Ventrículo Esquerdo (FEVE) caia. • Ressonância Magnética Cardíaca (RMC): Indicada quando a janela ecocardiográfica é pobre ou quando se busca caracterização tecidual (edema/fibrose) antes de terapias com alto risco de miocardite (ICIs). 4. Estratégias de Cardioproteção Primária Pacientes classificados como Alto ou Muito Alto Risco devem ser referenciados imediatamente para uma equipe de Cardio-Oncologia para considerar: • Otimização de Comorbidades: Controle rigoroso da pressão arterial e dislipidemia. • Farmacoterapia Protetora: Início de IECA/BRA e Beta-bloqueadores antes ou concomitantemente à quimioterapia (conforme evidências dos estudos PRADA e CECCY). • Ajuste de Protocolo: Discussão com o oncologista sobre formulações lipossomais ou alteração na velocidade de infusão. 5. Fluxograma de Monitoramento Basal (HFA-ESC) 6. Conclusão A avaliação basal não é apenas um "check-up", mas um plano de voo para a jornada oncológica. O uso das ferramentas ICOS/HFA permite uma medicina de precisão, garantindo que o paciente sobreviva ao câncer sem desenvolver uma insuficiência cardíaca debilitante. A vigilância deve ser contínua, transformando o "risco basal" em um "monitoramento dinâmico".

Fields of Study & Subjects

Chemotherapy-induced cardiotoxicity and mitigation Cardiac tumors and thrombi Cardiovascular Function and Risk Factors

Publication details

Journal / source
Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
Publication date
27 January 2026