O PAPEL DO EIXO MICROBIOTA-INTESTINO-CÉREBRO NA FISIOPATOLOGIA DA DEPRESSÃO

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Authors: Camilla de Andrade Tenório Cavalcanti, Cássia Kelly Santos França, Maria Clara Machado Alonso de Araújo, Caio Victor Barros Gonçalves da Silva, Sara Maria Xavier da Cruz
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Abstract

A relação entre o estado emocional e os processos fisiológicos do Trato Gastrointestinal (TGI) foi evidenciada ainda na década de 1840, quando William Beaumont demonstrou experimentalmente que as emoções podem influenciar a taxa de digestão, sugerindo, assim, uma conexão funcional entre cérebro e intestino. Apesar dessa constatação inicial, apenas em meados do século XX surgiram registros científicos sistemáticos que correlacionaram alterações na fisiologia intestinal a mudanças emocionais (Margolis et al., 2021). Com os avanços da ciência, consolidou-se o conceito de Eixo Microbiota-Intestino-Cérebro, definido como uma via de sinalização complexa e bidirecional entre a Microbiota Intestinal (MI), o TGI e o Sistema Nervoso Entérico (SNE) (Dumitrescu et al., 2018; Osadchiy, Martin e Mayer, 2019; Generoso et al., 2021). Esse eixo atua na integração das funções intestinais e, simultaneamente, estabelece conexões entre os centros cognitivos e afetivos do cérebro e mecanismos periféricos intestinais, como a ativação imunológica, a permeabilidade intestinal, os reflexos entéricos e a sinalização enteroendócrina (El-Hakim et al., 2022). O TGI constitui o maior microecossistema do corpo humano, no qual habita uma ampla diversidade de microrganismos, incluindo vírus, fungos, arqueas e bactérias, essenciais para o adequado funcionamento do organismo. A Microbiota Intestinal (MI) corresponde ao conjunto desses microrganismos que residem no TGI. Destaca-se que a MI é responsável pela produção de diversos metabólitos, substâncias químicas que desencadeiam funções relevantes em múltiplos sistemas do corpo humano (Beurel, Toups e Nemeroff, 2020; Fan e Pedersen, 2021). A MI é composta por bactérias que podem influenciar o microssistema intestinal de forma considerada positiva ou negativa. Contudo, ambas desempenham papéis fundamentais para o equilíbrio e o funcionamento adequado da microbiota. Quando ocorre desregulação na quantidade e na diversidade dessas bactérias, observa-se aumento da permeabilidade da barreira intestinal, favorecendo a translocação de toxinas inflamatórias para a corrente sanguínea (Tilg et al., 2019). Ademais, a MI, distribuída ao longo do TGI, participa ativamente da comunicação com o Sistema Nervoso Central (SNC), influenciando processos como a regulação do humor, a resposta ao estresse e o comportamento, por meio da produção de neurotransmissores e outros metabólitos neuroativos (Chen, Xu e Chen, 2021). Dessa forma, por meio do Eixo Microbiota-Intestino-Cérebro, sinais originados no TGI podem alcançar regiões cerebrais envolvidas em funções superiores, como comportamento, cognição e regulação emocional. Tais efeitos são observáveis tanto em condições fisiológicas quanto em contextos patológicos (Shandilya et al., 2021; El-Hakim et al., 2022).

Fields of Study & Subjects

Gut microbiota and health Gastrointestinal motility and disorders Tryptophan and brain disorders

Publication details

Journal / source
Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
Publication date
6 February 2026
Document type
Book chapter