SOMBRA BRANCA: UMA LEITURA JUNGUIANA DA DISPARIDADE RACIAL NO CAMPO DA SAÚDE.
Abstract
Este artigo trata-se de um estudo teórico-reflexivo de natureza qualitativa que utiliza dados do Censo 2022 e do IBGE para evidenciar as disparidades raciais na saúde. Os resultados apontam que a medicina opera como uma persona institucional associada à branquitude, resultando na sub-representação de profissionais negros em profissões de prestígio, especialmente na medicina (apenas 2,8% dos médicos, contra 55,5% da população geral) e em piores desfechos clínicos para pacientes negros. Além disso, discute-se como o mito da democracia racial contribui para a negação coletiva do problema, reforçando projeções e impedindo responsabilização estrutural. Será analisado o racismo estrutural no Brasil sob a ótica da Psicologia Analítica de C. G. Jung, articulada às perspectivas de Frantz Fanon e Silvio Almeida. O objetivo é compreender como a herança colonial moldou uma consciência cultural brasileira de matriz europeia que, ao se inflar como parâmetro universal de humanidade, projeta sobre a negritude conteúdos dissociados e negados, formando o que se denomina sombra branca. Conclui-se que o racismo na saúde não é apenas uma falha institucional, mas uma manifestação psíquica coletiva que produz desvios existenciais e sofrimento subjetivo. A superação desse quadro exige o confronto ético com a sombra coletiva, deslocando a branquitude do lugar de norma e promovendo práticas de cuidado sensíveis às particularidades do adoecimento racializado e à dignidade humana.
Fields of Study & Subjects
Race
Identity
and Education in Brazil
Racial and Ethnic Identity Research
Healthcare Systems and Challenges
Publication details
- Journal / source
- Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
- Publication date
- 5 February 2026
- Language
- PT