DISPUTA PARADIGMÁTICA, PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADES E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA SAÚDE COLETIVA
Abstract
O artigo analisa a incorporação da inteligência artificial no campo da saúde coletiva a partir de uma perspectiva teórico-crítica, compreendendo-a como parte de disputas paradigmáticas que atravessam concepções de saúde, cuidado e governo da vida. Parte-se do entendimento de que a saúde coletiva constitui um campo historicamente tensionado por racionalidades distintas, com destaque para o paradigma biomédico e seus desdobramentos medicalizantes e neurologizantes. O estudo discute como essas racionalidades produzem modos específicos de subjetivação, naturalizam desigualdades e orientam práticas institucionais. Metodologicamente, o artigo configura-se como ensaio teórico fundamentado na análise crítica de literatura especializada nos campos da saúde coletiva, da filosofia contemporânea e dos estudos sobre tecnopolítica e subjetividade. A análise evidencia que a inteligência artificial, ao operar por meio da coleta massiva de dados e da predição algorítmica, tende a intensificar lógicas de controle, normalização e captura da experiência, ao mesmo tempo em que reorganiza práticas de gestão e cuidado em saúde. No contexto do Sistema Único de Saúde, esses processos articulam-se a desigualdades estruturais e disputas em torno da governança do cuidado, tensionando princípios como equidade, integralidade e universalidade. Conclui-se que a inteligência artificial constitui um dispositivo político central no debate contemporâneo da saúde coletiva, cuja incorporação demanda problematização crítica e compromisso com a produção de subjetividades plurais e práticas de cuidado emancipadoras.
Fields of Study & Subjects
Artificial Intelligence in Healthcare and Education
Ethics and Social Impacts of AI
Foucault
Power
and Ethics
Publication details
- Journal / source
- Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
- Publication date
- 9 February 2026