Aspectos epidemiológicos da febre maculosa no Rio de Janeiro: abordagem Uma Só Saúde
Abstract
A febre maculosa no Brasil representa um modelo paradigmático de doença emergente associada às transformações ambientais e à interface entre sistemas humanos e naturais. O artigo tem por objetivo analisar os aspectos epidemiológicos da febre maculosa no estado do Rio de Janeiro entre 2007 e 2019, avaliando a relação entre presença de vetores, hospedeiros animais ou amplificadores e características ambientais sob a perspectiva Uma Só Saúde. Estudo epidemiológico descritivo de 1.403 notificações de febre maculosa, obtidas por meio de acesso aberto à plataforma DATASUS, com análise da distribuição espacial, temporal e das características epidemiológicas. Foram avaliadas as associações entre presença de vetores, evolução clínica e características ambientais das áreas de ocorrência. Entre os 176 casos confirmados, 75,0% apresentaram exposição a carrapatos. A letalidade foi significativamente maior entre casos com presença de vetor (31,1%). Observou-se concentração de casos em áreas de interface urbano silvestre, com predomínio no sexo masculino (65,3%) e faixa etária de 20-59 anos (58,5%). A sazonalidade mostrou picos entre maio e outubro, corroborando com a literatura. A febre maculosa no Rio de Janeiro apresenta padrão epidemiológico complexo, influenciado pela fragmentação da Mata Atlântica, urbanização e mudanças climáticas. A abordagem Uma Só Saúde é fundamental para compreender e controlar.
Fields of Study & Subjects
Vector-borne infectious diseases
Viral Infections and Vectors
Zoonotic diseases and public health
Publication details
- Journal / source
- REVISTA DO INSTITUTO ADOLFO LUTZ
- Volume
- 85
- Pages
- 1–13
- Publication date
- 28 January 2026