Lutos insurgentes na animalidade (in)humana
Abstract
Este artigo, inserido no campo da filosofia política, investiga as articulações entre luto, animalidade e mobilização afetiva, a partir da obra de Judith Butler. O texto tem dois objetivos centrais: o primeiro é compreender como a animalidade (in)humana pode operar como um modo de desestabilizar o antropocentrismo na definição do humano, abrindo caminho para formas de reconhecimento político de vidas dissidentes por meio de alianças e assembleias; o segundo é examinar a fúria como uma força política, distinguindo duas formas opostas: a fúria queer, crítica, ética e não violenta, que visa transformar estruturas opressivas sem reproduzi-las; e a fúria nostálgica, regressiva, ressentida e destrutiva, que busca restaurar uma ordem social excludente. A abordagem metodológica adota uma perspectiva pós-estruturalista e desconstrucionista, priorizando a leitura crítica dos dispositivos de poder que determinam quem pode ser reconhecido como humano e quem permanece fora do luto legítimo. No mesmo caminho, propõe-se uma leitura cartográfica das perdas não reconhecidas, especialmente aquelas que recaem sobre corpos considerados menos que humanos. Como resultado, evidencia-se a importância de diferenciar as formas de mobilização política movidas pela fúria, sobretudo em contextos onde o luto insurgente emerge de uma posição liminar entre o humano e o animal, desafiando hierarquias normativas da vida.
Fields of Study & Subjects
Arts and Performance Studies
Geographies of human-animal interactions
Gender
Sexuality
and Education
Publication details
- Journal / source
- (Des)troços revista de pensamento radical
- Volume
- 6
- Issue
- 2
- Pages
- e60014–e60014
- Publication date
- 5 January 2026