CONFINAMENTO CULTURAL E BRINCAR LIVRE NA EDUCAÇÃO INFANTIL: PERCEPÇÕES DE FAMÍLIAS E PROFESSORAS DA REDE MUNICIPAL DE ARAQUARI/SC
Abstract
Este artigo analisa o fenômeno do confinamento cultural da infância e seus impactos sobre o brincar livre e o desenvolvimento integral de crianças da Educação Infantil da rede municipal de Araquari/SC. Parte-se da contradição entre o reconhecimento legal, curricular e pedagógico do brincar como direito e eixo estruturante da Educação Infantil e a compressão efetiva de tempos e espaços de brincadeira não dirigida nas rotinas familiares e escolares. O objetivo foi analisar o impacto do confinamento cultural sobre o brincar livre e o desenvolvimento integral de crianças de três a seis anos, a partir das percepções de famílias e professoras. Trata-se de uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem quantitativa descritiva, desenvolvida por meio de levantamento (survey). Foram aplicados dois questionários estruturados, um direcionado a pais ou responsáveis (N=70) e outro a professoras da Educação Infantil (N=30). Os dados foram analisados por estatística descritiva. Os resultados indicam predominância de permanência das crianças em ambientes internos, uso reduzido de espaços públicos para brincar e tempo de telas superior ao considerado ideal pelas próprias famílias. No contexto escolar, embora existam tempos previstos para o brincar livre, estes competem com atividades dirigidas e demandas curriculares. Conclui-se que o confinamento cultural reduz oportunidades de iniciativa, exploração e participação infantil, demandando reorganização dos tempos, espaços e práticas institucionais, bem como ações intersetoriais entre educação, saúde e planejamento urbano.
Fields of Study & Subjects
Children's Rights and Participation
Education Pedagogy and Practices
Migration
Racism
and Human Rights
Publication details
- Journal / source
- Revista Foco
- Volume
- 19
- Issue
- 1
- Pages
- e11219–e11219
- Publication date
- 8 January 2026