CORPOS QUE SE ESCREVEM: A ESCRITA DE SI COMO TECNOLOGIA DE SUBJETIVAÇÃO E SEXUALIDADE FEMININA NA PÓS-MODERNIDADE

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Authors: Josélia Tuschinski, Luciana Ferrari Montemezzo
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Abstract

Este artigo realiza uma leitura comparatista de dois romances de autoria feminina escritos em contextos pós-ditatoriais: As horas nuas (1989), de Lygia Fagundes Telles, e Ciencias naturales (1988), de Rosa Chacel. O objetivo é analisar como, à luz das técnicas de si formuladas por Michel Foucault (2021a; 2021b; 2021c) e da teoria da sujeição e da agência em Judith Butler (2019; 2024), as protagonistas elaboram relatos fragmentários nos quais corpo, sexualidade e autorreflexão se entrelaçam, configurando a escrita como espaço de reelaboração subjetiva. Dialoga-se também com Margareth Rago (2013), cuja obra A aventura de contar-se demonstra como a escrita autobiográfica feminina constitui uma prática ética e política de invenção de si, perspectiva essencial para compreender o modo como as protagonistas Rosa Ambrósio e Helena Moreno transformam dor, desejo e deslocamento em processos de autoconstituição. Argumenta-se ainda que, à medida que fragmentos de memória emergem ao longo das narrativas, as personagens acionam formas de agência capazes de ressignificar as experiências vividas sob regimes autoritários e durante a redemocratização, iluminando as marcas sociopolíticas que atravessam seus percursos. Sustenta-se, por fim, que ambas as obras convertem o sofrimento em linguagem e instauram a escrita como gesto estético de resistência e reinvenção da experiência feminina no contexto pós-moderno.

Fields of Study & Subjects

Gender Sexuality and Education Diverse academic research themes Qualitative research in health

Publication details

Journal / source
Derecho y cambio social.
Volume
23
Issue
86
Pages
e4022–e4022
Publication date
7 January 2026