AVC PRECOCE – FATORES DE RISCO EMERGENTES E A TRANSFORMAÇÃO DO PERFIL ETÁRIO DO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL NO BRASIL: JUVENTUDE, HÁBITOS E DESIGUALDADES NA PREVENÇÃO
Abstract
O acidente vascular cerebral (AVC), historicamente associado ao envelhecimento, tem apresentado no Brasil uma mudança relevante em seu perfil epidemiológico, com crescimento expressivo da incidência entre adultos jovens e pessoas em idade produtiva. Dados recentes do DATASUS indicam que, apenas entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 64.471 óbitos por AVC, o que corresponde a uma morte a cada seis minutos, evidenciando a persistência e a gravidade desse agravo como problema de saúde pública nacional, bem como sua elevada carga social e econômica. Nesse contexto, o objeto deste artigo consiste na análise dos fatores de risco emergentes associados ao AVC precoce no Brasil e na compreensão das transformações recentes do perfil etário da doença, considerando a interação entre hábitos de vida contemporâneos, condições clínicas subdiagnosticadas e desigualdades no acesso à prevenção, ao diagnóstico oportuno e ao cuidado em saúde. Parte-se da seguinte pergunta de pesquisa: de que maneira os fatores de risco emergentes, associados aos modos de vida contemporâneos e às desigualdades estruturais em saúde, têm contribuído para a antecipação do AVC no Brasil, transformando seu perfil etário e desafiando as estratégias tradicionais de prevenção e promoção da saúde? Teoricamente, foram utilizados os trabalhos de McFarlane e Bakris (2012), Schilfgaarde, Stanley Brummelen e Overbosh (1983), Barkan (2017), CDC (1996), Froelicher e Myers (2006), Alexandrov (2004), Brant (2006), Fried (1985), Krieger (2011), NINDS (1990), Organização Pan-Americana da Saúde (2013), Sapolsky (2004), Han (2021), Katzan (2013), Cheigh, Cheigh e Rubin (1986), Kawachi, Takao e Subramanian (2013), Humbert, Evgenov e Stasch (2013), Conrad e Schneider (1992), Conrad e Barker (2011), American Heart Association (2025), Mendis, Puska e Norrving (2011), Marmot (2013; 2015), Siddique (2009), Caplan e Liebeskind (2016), Ostfeld (1980), Organização Mundial da Saúde (2005), dados do DATASUS (2025), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os resultados evidenciam que o AVC precoce no Brasil configura uma transformação estrutural do perfil epidemiológico da doença, impulsionada pela antecipação e pela combinação cumulativa de fatores de risco modificáveis em faixas etárias jovens. Constatou-se que hábitos de vida contemporâneos, associados ao estresse crônico, à precarização das condições de trabalho e à medicalização sem acompanhamento adequado, contribuem para a fragilização precoce do sistema vascular cerebral. A pesquisa também demonstra que desigualdades socioeconômicas e territoriais ampliam a exposição aos riscos e limitam o acesso à prevenção e ao diagnóstico oportuno. Evidencia-se que as estratégias tradicionais de prevenção, centradas na população idosa e em abordagens individualizantes, são insuficientes frente ao novo padrão etário do AVC, exigindo políticas públicas orientadas pelo curso de vida e pela equidade em saúde.
Fields of Study & Subjects
Acute Ischemic Stroke Management
Cardiovascular Health and Risk Factors
Health Promotion and Cardiovascular Prevention
Publication details
- Journal / source
- Derecho y cambio social.
- Volume
- 23
- Issue
- 86
- Pages
- e4254–e4254
- Publication date
- 16 January 2026