AVC PRECOCE – FATORES DE RISCO EMERGENTES E A TRANSFORMAÇÃO DO PERFIL ETÁRIO DO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL NO BRASIL: JUVENTUDE, HÁBITOS E DESIGUALDADES NA PREVENÇÃO

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Authors: Elisangela Maria Pereira de Souza, Marco Aurélio Teixeira Costa, DEISE MARIA DO NASCIMENTO SOUSA, Daniele Priscila da Silva Fardin de Assunção, Marilda Morais da Costa, Isis da Silva Galindo, Sabrina Montenegro Cruz, Nayana Keyla Seabra de Oliveira, Priscila Gonçalves Soares dos Santos, Keity Cristina Bueno Perina, Francisca Natália Alves Pinheiro, Poliana da Silva Rocha Costa
+4 more Isabela Teixeira Ramos, Gabriela de Paiva Gonçalves, Gustavo Da Silva Cândido, Andyara Tallita Felicio Carvalho
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Abstract

O acidente vascular cerebral (AVC), historicamente associado ao envelhecimento, tem apresentado no Brasil uma mudança relevante em seu perfil epidemiológico, com crescimento expressivo da incidência entre adultos jovens e pessoas em idade produtiva. Dados recentes do DATASUS indicam que, apenas entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 64.471 óbitos por AVC, o que corresponde a uma morte a cada seis minutos, evidenciando a persistência e a gravidade desse agravo como problema de saúde pública nacional, bem como sua elevada carga social e econômica. Nesse contexto, o objeto deste artigo consiste na análise dos fatores de risco emergentes associados ao AVC precoce no Brasil e na compreensão das transformações recentes do perfil etário da doença, considerando a interação entre hábitos de vida contemporâneos, condições clínicas subdiagnosticadas e desigualdades no acesso à prevenção, ao diagnóstico oportuno e ao cuidado em saúde. Parte-se da seguinte pergunta de pesquisa: de que maneira os fatores de risco emergentes, associados aos modos de vida contemporâneos e às desigualdades estruturais em saúde, têm contribuído para a antecipação do AVC no Brasil, transformando seu perfil etário e desafiando as estratégias tradicionais de prevenção e promoção da saúde? Teoricamente, foram utilizados os trabalhos de McFarlane e Bakris (2012), Schilfgaarde, Stanley Brummelen e Overbosh (1983), Barkan (2017), CDC (1996), Froelicher e Myers (2006), Alexandrov (2004), Brant (2006), Fried (1985), Krieger (2011), NINDS (1990), Organização Pan-Americana da Saúde (2013), Sapolsky (2004), Han (2021), Katzan (2013), Cheigh, Cheigh e Rubin (1986), Kawachi, Takao e Subramanian (2013), Humbert, Evgenov e Stasch (2013), Conrad e Schneider (1992), Conrad e Barker (2011), American Heart Association (2025), Mendis, Puska e Norrving (2011), Marmot (2013; 2015), Siddique (2009), Caplan e Liebeskind (2016), Ostfeld (1980), Organização Mundial da Saúde (2005), dados do DATASUS (2025), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os resultados evidenciam que o AVC precoce no Brasil configura uma transformação estrutural do perfil epidemiológico da doença, impulsionada pela antecipação e pela combinação cumulativa de fatores de risco modificáveis em faixas etárias jovens. Constatou-se que hábitos de vida contemporâneos, associados ao estresse crônico, à precarização das condições de trabalho e à medicalização sem acompanhamento adequado, contribuem para a fragilização precoce do sistema vascular cerebral. A pesquisa também demonstra que desigualdades socioeconômicas e territoriais ampliam a exposição aos riscos e limitam o acesso à prevenção e ao diagnóstico oportuno. Evidencia-se que as estratégias tradicionais de prevenção, centradas na população idosa e em abordagens individualizantes, são insuficientes frente ao novo padrão etário do AVC, exigindo políticas públicas orientadas pelo curso de vida e pela equidade em saúde.

Fields of Study & Subjects

Acute Ischemic Stroke Management Cardiovascular Health and Risk Factors Health Promotion and Cardiovascular Prevention

Publication details

Journal / source
Derecho y cambio social.
Volume
23
Issue
86
Pages
e4254–e4254
Publication date
16 January 2026