Vigiar e padronizar – análise da educação emancipatória freireana frente à racionalidade tecnicista que afeta os educandos pobres no Brasil contemporâneo

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Authors: José Neto de Oliveira Felippe, Edimar Fonseca da Fonseca, Nikolas Corrent, Thiago Cedrez da Silva, Angélica Bittencourt Galiza, Isadora Cristina Cardoso de Vasconcelos, Bettina Sá D’Alessandro, Alcione Aparecida da Silva, Kellen Cristhina Vieira Araujo, Edinara Rodrigues Gomes, Patricia Coêlho Lopes, Juvan da Cunha Ferreira
+4 more Flávia Vitória Oliveira Almeida, Simone Maia Bezerra, Kátia Ferreira de Souza, Michely Castro Neves do Amaral
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Abstract

Nas últimas décadas, a educação pública brasileira tem sido atravessada por reformas orientadas por métricas de desempenho, padronizações curriculares, plataformas digitais de monitoramento e políticas de responsabilização que reconfiguram o cotidiano escolar sob a lógica da eficiência, do controle e da produtividade. Nesse cenário, a escola passa a operar cada vez mais como espaço de vigilância permanente, no qual tempos, conteúdos, avaliações e práticas docentes são rigidamente prescritos por dispositivos técnicos e gerenciais que reduzem a complexidade do ato educativo a indicadores quantificáveis. Tal racionalidade tecnicista incide de modo particularmente severo sobre estudantes das camadas populares, historicamente submetidos a processos de escolarização mínimos, utilitaristas e disciplinadores, que tendem a restringir sua formação crítica e sua participação política. Diante dessa tensão, o presente artigo toma como objeto de análise o confronto entre a pedagogia freireana e os dispositivos contemporâneos de padronização e controle que estruturam a educação básica brasileira, investigando como tais mecanismos impactam a experiência escolar de estudantes pobres. Como pergunta de partida, indaga-se: em que medida a racionalidade tecnicista e vigilante que organiza as políticas educacionais atuais inviabiliza – ou tensiona – a construção de práticas pedagógicas verdadeiramente emancipadoras, e quais possibilidades de resistência podem ser construídas a partir do horizonte crítico freireano? Teoricamente, fizemos uso central dos trabalhos de Freire (1959; 1979; 1992; 1997; 2011; 2013; 2014; 2015) e dialogando com Apple (1999; 2006; 2008; 2011; 2012), Ball (1994; 2005; 2007; 2008), Giroux (1997; 2000; 2011; 2013; 2014; 2022; 2024), hooks (1999; 2003; 2009; 2015; 2018; 2022), Foucault (2008; 2009; 2014; 2020), Antunes (2005; 2006; 2009; 2017; 2018), Antunes e Pinto (2017), Dardot e Laval (2014; 2016; 2019), Laval (2019), Saviani (1996; 2006; 2008; 2012; 2013), Zuboff (1995; 2019), Han (2015; 2017; 2025), Chomsky (1998), entre outros. A pesquisa assume caráter qualitativo (Minayo, 2007), de natureza bibliográfica e analítico-interpretativa (Gil, 2008), articulando crítica social, teoria pedagógica e análise compreensiva (Weber, 1949). Os resultados indicam que a racionalidade tecnicista e vigilante converte a escola pública em espaço de controle, padronização e intensificação do trabalho docente, restringindo a autonomia pedagógica e a formação crítica dos estudantes. A dataficação das aprendizagens, a performatividade avaliativa e a plataformização do ensino reduzem a experiência educativa a indicadores mensuráveis e empobrecem o currículo. Em contrapartida, práticas inspiradas na pedagogia de Paulo Freire – centradas no diálogo, na problematização e na produção coletiva do conhecimento – demonstram potencial de resistência e reumanização do cotidiano escolar. Desse modo, a educação emancipatória afirma-se como alternativa concreta às lógicas de controle.

Fields of Study & Subjects

Critical and Liberation Pedagogy Education Pedagogy and Practices Global Educational Policies and Reforms

Publication details

Journal / source
Derecho y cambio social.
Volume
23
Issue
87
Pages
e4504–e4504
Publication date
6 February 2026