A colaboração premiada como mecanismo de eficiência no sistema de justiça: uma análise à luz da Análise Econômica do Direito

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Authors: Galtiênio da Cruz Paulino
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Abstract

A colaboração premiada, introduzida no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 12.850/2013, consolidou-se como instrumento central na persecução de crimes complexos e corrupção sistêmica. Sob a ótica da Análise Econômica do Direito (AED), o instituto pode ser compreendido como mecanismo que reduz custos de transação e otimiza a alocação de recursos públicos, substituindo etapas investigativas onerosas por um modelo de cooperação incentivada. Essa lógica aumenta a percepção de risco e contribui para a dissuasão criminal. Entretanto, assim como o plea bargaining, a colaboração premiada envolve um trade-off: diminui custos processuais, mas pode gerar condenações injustas e falhas de agência. Seus defensores a veem como estratégia de economia de recursos, capaz de redirecionar esforços judiciais para casos de maior valor. Já seus críticos sustentam que a ampla disponibilidade de acordos pode reduzir o incentivo dos promotores a filtrar casos fracos, comprometendo o bem-estar social líquido. A busca pela eficiência econômica, na perspectiva de Kaldor-Hicks, impõe a necessidade de controle regulatório para mitigar riscos de assimetria informacional e de oportunismo do delator. Nesse contexto, a calibragem dos incentivos é essencial, assegurando que os benefícios concedidos sejam proporcionais à relevância e à fidedignidade das informações fornecidas. Assim, a maximização do bem-estar social somente se concretiza quando o instituto promove uma justiça simultaneamente eficiente e distributivamente equilibrada.

Fields of Study & Subjects

Law Economics and Judicial Systems Criminal Law and Policy Brazilian Legal Issues

Publication details

Journal / source
Revista Científica do CPJM
Pages
145–160
Publication date
1 January 2026