Internação hospitalar e mortalidade por endometriose no Brasil, 2014-2024

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Authors: Maria Clara Reis dos Santos Almeida, Maria Antônia Figuerêdo Farias, Nicole Ribeiro Andrade, Luiz Vinicius Santos Dias, Adriano de Oliveira Santana, Wellen Eduarda Alves dos Santos, Valéria Fernandes da Silva Lima, Jefferson Felipe Calazans Batista, Carla Viviane Freitas de Jesus
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Abstract

Introdução: A endometriose é uma condição crônica que acomete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, caracterizada pela presença de tecido endometrial funcional fora da cavidade uterina e do miométrio. Embora seja considerada benigna, suas complicações podem levar ao óbito. Objetivo: Analisar a trajetória de pacientes com endometriose no Brasil, identificando a tendência temporal das internações hospitalares e da mortalidade no período de 2014 a 2024. Metodologia: Trata-se de estudo misto, ecológico e transversal, de caráter descritivo e analítico, com abordagem quantitativa, utilizando microdados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponibilizados pelo DATASUS, incluindo variáveis como CID-10, sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade e região. Resultados: Observou-se maior concentração de internações em mulheres de 30 a 39 anos (42,9%; n=59.386) e maior proporção de óbitos intra-hospitalares nessa mesma faixa etária (21,5%; n=34.049). Embora estudos indiquem maior risco entre mulheres brancas, os dados nacionais evidenciaram predominância de internações e óbitos em mulheres pardas, além de maior mortalidade entre 30 e 49 anos (30,1%–36,1%; n=55–66). A letalidade hospitalar manteve-se baixa (0,11%–0,15%) e a taxa de mortalidade não ultrapassou 0,02%, demonstrando que, apesar do impacto clínico e psicossocial da doença, a progressão para óbito é rara. A análise temporal revelou declínio das internações entre 2014 e 2020, com crescimento até 2024, enquanto a mortalidade apresentou aumento até 2019, seguido de redução nos anos subsequentes. O incremento das internações, especialmente na Região Sul, pode estar associado à ampliação do acesso aos serviços especializados e a efeitos residuais da pandemia de COVID-19. Conclusão: A endometriose apresenta perfil epidemiológico heterogêneo no Brasil, marcado por variações etárias, raciais e regionais, mantendo baixa letalidade hospitalar, o que reforça a importância do fortalecimento da rede de atenção à saúde da mulher, do diagnóstico precoce e da vigilância epidemiológica.

Fields of Study & Subjects

Endometriosis Research and Treatment Ectopic Pregnancy Diagnosis and Management Endometrial and Cervical Cancer Treatments

Publication details

Journal / source
Revista JRG de Estudos Acadêmicos
Volume
9
Issue
20
Pages
e093001–e093001
Publication date
3 March 2026
Language
PT