Frida entre telas: olhar, criação e narrativa de si
Abstract
O filme Frida (2002), dirigido por Julie Taymor, ultrapassa a função de narrativa biográfica ao construir uma experiência estética em que pintura e cinema se articulam para produzir sentidos sobre a vida e a obra de Frida Kahlo. Este artigo analisa como o filme constrói uma impressão de realidade ao transformar elementos pictóricos em matéria narrativa cinematográfica, articulando os conceitos de “efeito de real”, de Roland Barthes, “impressão de realidade”, de Christian Metz, e as reflexões de Rogério Luz sobre sujeito e narração no cinema. As transições em que as pinturas rompem a superfície da tela e invadem o espaço diegético instauram uma zona de ambiguidade na qual o real e o representado se contaminam mutuamente. Detalhes visuais, como objetos de cena, cores, texturas e microgestos, operam como marcas de verossimilhança e autenticidade afetiva. Ao mesmo tempo, a estética pictórica intensifica a dimensão sensorial e subjetiva da narrativa, aproximando a experiência fílmica da materialidade expressiva da obra de Frida Kahlo. Argumenta-se que o filme constrói um sujeito narrativo que não apenas é representado, mas se reinventa discursivamente, configurando o cinema como um dispositivo híbrido de criação de subjetividade.
Fields of Study & Subjects
Cinema History and Criticism
Visual Culture and Art Theory
Art
Aesthetics
and Perception
Publication details
- Journal / source
- OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA
- Volume
- 24
- Issue
- 1
- Pages
- e12855–e12855
- Publication date
- 12 January 2026
- Language
- PT