Da colônia aos institutos federais: uma história crítica da educação profissional brasileira
Abstract
O artigo analisa, em perspectiva histórica e crítica, a constituição da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil, articulando processos políticos, sociais e econômicos que moldaram sua estrutura desde o período colonial. A discussão fundamenta-se em autores como Cunha (2000), Batista e Muller (2021), Soares de Almeida e Boschetti (2012), Louro (1997), Ciavatta e Frigotto (2012), Kuenzer (2007), Saviani (2007) e Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005). Argumenta-se que a instalação da corte portuguesa em 1808 reconfigurou a colônia e impulsionou as primeiras iniciativas formais de instrução técnica, vinculadas às necessidades administrativas e produtivas do Estado imperial. Evidencia-se que a formação profissional, desde suas origens, foi dirigida majoritariamente a sujeitos racializados e às classes trabalhadoras, enquanto mulheres e grupos subalternizados foram sistematicamente excluídos do acesso à escolarização ampla. Ao longo da Primeira República, do Estado Novo, do regime civil-militar e das reformas neoliberais dos anos 1990, manteve-se a dualidade estrutural entre ensino propedêutico e técnico, orientada por uma lógica de disciplinamento e ajustamento às demandas produtivas. Por fim, discute-se a criação dos Institutos Federais, em 2008, analisando os limites e possibilidades de superação de um modelo historicamente excludente. Conclui-se que a EPT ainda opera entre projetos societários em disputa, requerendo abordagens que enfrentem a colonialidade, as desigualdades estruturais e a tensão entre formação integral e tecnicismo.
Fields of Study & Subjects
History of Education Research in Brazil
Education
sociology
and vocational training
Education Pedagogy and Practices
Publication details
- Journal / source
- OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA
- Volume
- 24
- Issue
- 1
- Pages
- e13036–e13036
- Publication date
- 30 January 2026
- Language
- PT