Racismo antinegro bidimensional: “ciência” e desconstrução
Abstract
O objeto de investigação deste artigo é o racismo antinegro bidimensional: consciente e inconsciente. Examina-se a sua matriz histórico-“científica” na tradição racialista europeia dos séculos XVIII e XIX. O problema central consiste em demonstrar como Blumenbach, Le Bon, Lapouge e Gobineau sustentaram, com aparência de cientificidade, a superioridade do homem europeu, convertendo a craniologia e premissas genéticas em instrumentos ideológicos de dominação cultural e política. O objetivo do estudo é evidenciar a fragilidade epistemológica do racialismo e apresentar o movimento de desconstrução conduzido por instâncias internacionais no pós-guerra. A metodologia empregada é de caráter qualitativo, baseada em revisão bibliográfica crítica e análise documental, tendo como eixo as declarações e conferências organizadas pela UNESCO entre 1950 e 1978, com ênfase na conferência de Moscou (1964). Os resultados indicam que o racialismo constitui uma ideologia travestida de ciência, cujo legado persiste em práticas sociais e acadêmicas contemporâneas. Conclui-se que a desconstrução do racismo científico é condição para reafirmar a unidade da espécie humana e enfrentar a permanência estrutural do racismo antinegro.
Fields of Study & Subjects
Race
Genetics
and Society
Identity
and Education in Brazil
Decolonial Thought and Epistemologies
Publication details
- Journal / source
- OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA
- Volume
- 24
- Issue
- 2
- Pages
- e13068–e13068
- Publication date
- 10 February 2026
- Language
- PT