Sonhos que ficam pelo caminho: transporte, evasão e a realidade de meninas do campo
Abstract
Partindo da premissa de que a educação no campo é um direito fundamental frequentemente negado, este artigo analisa os mecanismos de exclusão que afetam meninas e mulheres, destacando a interação entre barreiras materiais, como o transporte precário, e imposições culturais. Com base em uma metodologia bibliográfica, a pesquisa tece um diálogo entre os preceitos da Educação do Campo, defendidos por Arroyo (2012) e Caldart (2004), e uma aprofundada análise filosófico-sociológica da desigualdade, marcada por questões de gênero e raça. A naturalização da submissão é interpretada à luz do conceito de "servidão voluntária" de Étienne de La Boétie (1983), que ilumina como o peso da tradição e das expectativas sociais limita as trajetórias femininas. A teoria da "ação comunicativa" de Jürgen Habermas (2006) oferece o contraponto, posicionando a educação dialógica como potente ferramenta de emancipação. As conclusões evidenciam que a superação desse ciclo de exclusão transcende soluções logísticas. Torna-se imperativa a formulação de políticas públicas interseccionais que, além de assegurar o acesso, fomentem um projeto pedagógico libertador, capaz de transformar a escola em um espaço de desconstrução da servidão e de construção da autonomia e da cidadania plena.
Fields of Study & Subjects
Rural and Ethnic Education
Gender
Sexuality
and Education
Race
Identity
and Education in Brazil
Publication details
- Journal / source
- DELOS Desarrollo Local Sostenible
- Volume
- 19
- Issue
- 76
- Pages
- e8466–e8466
- Publication date
- 28 January 2026