Números da estenose aórtica no Brasil nos últimos 10 anos e o impacto da modalidade anestésica na morbimortalidade do implante transcateter de valvula aórtica
Abstract
Este estudo investiga a evolução dos números relacionados à estenose aórtica no Brasil nos últimos dez anos e analisa o impacto da modalidade anestésica na morbimortalidade de pacientes submetidos ao Implante Transcateter de Válvula Aórtica (TAVI). A estenose aórtica, valvopatia degenerativa prevalente em idosos, apresenta crescente relevância no país devido ao envelhecimento populacional. Com a expansão do TAVI como alternativa menos invasiva à cirurgia convencional, o tipo de anestesia — anestesia geral ou anestesia local com sedação — tornou-se ponto central na discussão sobre segurança e desfechos clínicos. Trata-se de uma revisão da literatura, realizada em bases como PubMed, SciELO, LILACS e Embase, contemplando publicações de 2015 a 2025. Foram incluídos estudos que abordassem TAVI, estenose aórtica e técnicas anestésicas, priorizando revisões sistemáticas, coortes e ensaios clínicos. Nos resultados nacionais, conforme dados do DATASUS, observou-se que, entre 2015 e 2024, foram registradas 1.705 internações relacionadas ao tratamento da estenose aórtica, com taxa média de mortalidade de 7,27%. Houve crescimento expressivo de procedimentos a partir de 2021, atingindo o pico em 2024. Pacientes atendidos de forma eletiva apresentaram mortalidade significativamente menor do que os atendidos em urgência. A valvuloplastia aórtica percutânea foi o procedimento mais prevalente, enquanto o TAVI transfemoral apresentou menor mortalidade relativa. A literatura analisada aponta que a escolha anestésica influencia diretamente a estabilidade hemodinâmica durante o TAVI. Técnicas menos invasivas, como anestesia local com sedação, têm mostrado benefícios como menor tempo de internação e redução de complicações respiratórias, embora a anestesia geral permaneça fundamental em casos de complexidade anatômica ou instabilidade clínica. Além disso, agentes anestésicos específicos exibem diferentes perfis de segurança em pacientes com estenose aórtica grave, com destaque para etomidato e remimazolam pela estabilidade hemodinâmica. A escolha anestésica deve ser individualizada, considerando riscos hemodinâmicos e características clínicas, sendo o anestesiologista peça central para a otimização dos desfechos e a redução da morbimortalidade no contexto do TAVI. Mais estudos são necessários para esclarecer melhor essa realidade.
Fields of Study & Subjects
Cardiac Valve Diseases and Treatments
Aortic Disease and Treatment Approaches
Anesthesia and Sedative Agents
Publication details
- Journal / source
- DELOS Desarrollo Local Sostenible
- Volume
- 19
- Issue
- 77
- Pages
- e8672–e8672
- Publication date
- 16 February 2026
- Language
- PT