Corpos dissidentes e arquivos coloniais: o apagamento das mulheres lésbicas na história do Brasil
Abstract
O presente artigo analisa a invisibilidade das mulheres lésbicas na historiografia brasileira, evidenciando como o conhecimento histórico foi moldado por uma lógica androcêntrica, branca e heteronormativa. A partir da investigação de processos inquisitoriais do período colonial, com destaque para casos como o de Isabel Antônia, “a do veludo”, Francisca Luiz e Filipa de Souza, examina-se como a Inquisição e o discurso religioso-cristão construíram a lesbianidade como pecado, desvio e ameaça à ordem patriarcal. O estudo demonstra que a ausência de registros sobre mulheres lésbicas é produto de um projeto de apagamento político e epistemológico. A análise articula gênero, sexualidade e raça para evidenciar as múltiplas camadas de exclusão que atravessaram as experiências dessas mulheres, especialmente aquelas racializadas. Mais do que narrar episódios de repressão, o artigo problematiza o silêncio historiográfico e propõe a necessidade de reinscrever as mulheres lésbicas como sujeitos históricos legítimos, desestabilizando o cânone e denunciando a heteronormatividade como estrutura de poder que define o que é considerado memória e verdade histórica. Assim, revela-se que dar visibilidade às mulheres lésbicas é um gesto de reparação, resistência e reconstrução epistemológica.
Fields of Study & Subjects
Gender and Feminist Studies
Gender
Sexuality
and Education
Historical Gender and Feminism Studies
Publication details
- Journal / source
- Contribuciones a las Ciencias Sociales
- Volume
- 19
- Issue
- 1
- Pages
- e23428–e23428
- Publication date
- 13 January 2026