Cuidado infantil no autismo e divisão sexual do trabalho: responsabilização feminina
Abstract
O cuidado de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), no Brasil, tem sido assumido majoritariamente pelas mulheres, evidenciando a persistência da divisão sexual do trabalho e a privatização das responsabilidades reprodutivas no âmbito da família. Essa configuração expressa não apenas arranjos domésticos particulares, mas determinações sociais mais amplas, atravessadas pelas relações de gênero, pela organização capitalista do trabalho e pelos limites das políticas públicas de proteção social. Nesse sentido, o artigo analisa a denominada ausência paterna como fenômeno social estrutural, compreendendo-a não como falha moral individual, mas como expressão das formas históricas de organização do cuidado e da naturalização do trabalho reprodutivo feminino. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter analítico-reflexivo, fundamentado em revisão bibliográfica crítica e na reflexão teórica a partir da experiência profissional no campo das políticas sociais. Argumenta-se que a sobrecarga materna no cuidado de crianças com TEA constitui uma expressão da questão social, revelando a centralidade do trabalho de cuidado para a reprodução da vida e, simultaneamente, sua desvalorização social. Defende-se, portanto, a necessidade de respostas estatais que reconheçam o cuidado como trabalho socialmente necessário, direito social e responsabilidade coletiva, deslocando-o da esfera privada para o âmbito das políticas públicas universais.
Fields of Study & Subjects
Work-Family Balance Challenges
Gender
Labor
and Family Dynamics
Social Policies and Family
Publication details
- Journal / source
- Contribuciones a las Ciencias Sociales
- Volume
- 19
- Issue
- 2
- Pages
- e23731–e23731
- Publication date
- 10 February 2026
- Language
- PT