OBJETOS, PODER E SILÊNCIOS: A ESCRAVIDÃO BRASILEIRA E OS DESAFIOS DA REPRESENTAÇÃO MUSEOLÓGICA
Abstract
O presente artigo analisa a construção da narrativa histórica sobre a escravidão no Museu Histórico Nacional, a partir de uma perspectiva crítica da museologia e da história social. Fundamentado em referenciais teóricos que discutem patrimônio, memória e cultura material, o estudo problematiza a forma como os objetos musealizados, especialmente aqueles relacionados à punição e ao controle dos corpos escravizados, são apresentados ao público. Parte-se da compreensão de que os museus não são espaços neutros, mas produtores de sentidos, responsáveis por selecionar, hierarquizar e interpretar o passado. A partir da análise da exposição “A Construção do Estado Nacional, 1822-1889”, discute-se a centralidade do ethos senhorial na narrativa museológica e a consequente marginalização da experiência histórica dos escravizados. O texto examina a formação da sociedade escravista brasileira, destacando a consolidação da economia cafeeira, a relação entre escravidão e Estado imperial e os mecanismos de dominação e punição que estruturaram essa ordem social. Ao problematizar a representação dos instrumentos de castigo como meros objetos expositivos, propõe-se uma intervenção museológica baseada na historicização radical, capaz de evidenciar as dimensões políticas, sociais e simbólicas da escravidão. Defende-se, assim, a necessidade de uma abordagem museológica comprometida com a memória social, a crítica histórica e o reconhecimento da centralidade da população negra na construção da sociedade brasileira.
Fields of Study & Subjects
History of Colonial Brazil
Cultural Identity and Heritage
Museums and Cultural Heritage
Publication details
- Journal / source
- Revista Campo da História
- Volume
- 11
- Issue
- 1
- Pages
- e502–e502
- Publication date
- 27 January 2026
- Language
- PT