SÍNDROMES AUTOINFLAMATÓRIAS MONOGÊNICAS: DOS ASPECTOS FISIOPATOLÓGICOS AO TRATAMENTO – UMA REVISÃO NARRATIVA

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Authors: Felipe De Lacerda Pereira, Antônio Carlos dos Santos Silva Júnior, Gilson Augusto Nunes Martins Pombeiro
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Abstract

Problema: As Síndromes Monogênicas Autoinflamatórias (SAIM) são um grupo de doenças genéticas raras, caracterizadas por episódios intermitentes ou contínuos de inflamação estéril, decorrentes de disfunção primária da imunidade inata. Diferem-se das doenças autoimunes clássicas, impulsionadas pela imunidade adaptativa, por não apresentarem autoanticorpos nem linfócitos T autorreativos. O avanço do Next-Generation Sequencing (NGS) possibilitou a identificação de mais de 50 entidades distintas, evidenciando ampla heterogeneidade clínica e genética. Objetivo: Revisar os principais aspectos relacionados à fisiopatologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento das SAIM, organizando-as conforme seus três eixos patogênicos centrais. Métodos: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura recente, incluindo estudos originais e revisões de alto impacto sobre epidemiologia, mecanismos moleculares e terapias direcionadas às SAIM. Resultados: As SAIM podem ser agrupadas em três categorias fisiopatológicas principais. Inflamassomopatias, que decorrem da ativação aberrante dos inflamassomas, promovendo a clivagem da pró-Interleucina-1 beta (IL-1β) e da pró-Interleucina-18 (IL-18) pela caspase-1, desencadeando piroptose e inflamação sistêmica. Envolvem condições como Febre Familiar do Mediterrâneo (FMF), Síndromes Periódicas Associadas à Criopirina (CAPS) e Deficiência de Mevalonato Quinase/Síndrome Hiper-IgD (MKD/HIDS). Interferonopatias, que resultam da produção sustentada de Interferon tipo I (IFN-I) e ativação crônica da via JAK-STAT, geralmente por mutações em sensores de ácidos nucleicos, como TREX1, IFIH1 e RNASEH2, que mimetizam infecção viral persistente. Exemplos incluem a Síndrome de Aicardi-Goutières (AGS) e a Síndrome associada ao STING (SAVI). Relopatias, que se manifestam por meio da ativação constitutiva ou falhas no controle negativo da via do NF-κB/Rel family, resultando em expressão descontrolada de genes pró-inflamatórios. Exemplos incluem a Doença de Blau, a HA20 (deficiência de TNFAIP3) e a Síndrome de BENTA. Clinicamente, as SAIM manifestam-se com febres episódicas, serosites, erupções cutâneas, artrite/artralgias, envolvimento neurológico e fenótipos autoimunes associados, variando conforme o eixo fisiopatológico predominante. O diagnóstico baseia-se em alta suspeição clínica, confirmação molecular por NGS e análise de biomarcadores inflamatórios. O tratamento deve ser direcionado ao eixo patogênico predominante: bloqueadores de IL-1 para inflamassomopatias, inibidores JAK para interferonopatias e anti-Fator de necrose tumoral alfa (TNF) ou anti-Interleucina-6 (IL-6) para relopatias. Conclusão: As SAIM são doenças autoinflamatórias, não autoimunes, resultantes de inflamação auto sustentada da imunidade inata. O reconhecimento do eixo molecular envolvido e as vias específicas afetadas conforme o eixo molecular acometido são essenciais para reduzir a morbidade e prevenir complicações graves como Amiloidose AA e lesões orgânicas irreversíveis.

Fields of Study & Subjects

Inflammasome and immune disorders Immunodeficiency and Autoimmune Disorders Autoimmune and Inflammatory Disorders Research

Publication details

Journal / source
Revista Contemporânea
Volume
6
Issue
1
Pages
e10079–e10079
Publication date
8 January 2026