O ENVENENAMENTO DE D. JOÃO VI NAS FONTES EUROPEIAS (1832–1865): REGICÍDIO, PROPAGANDA POLÍTICA E TOXICOLOGIA HISTÓRICA
Abstract
A morte de D. João VI (7 mar. 1826) permanece como um dos episódios mais controversos da história luso-brasileira. A partir da década de 1830, panfletos e sínteses político-historiográficas europeias passaram a sustentar a hipótese de envenenamento do monarca, atribuída à rainha Carlota Joaquina, com participação de seu cirurgião-mor, Aguiar. Este artigo analisa três obras em língua alemã publicadas entre 1832 e 1865 — Dom Miguel I, Usurpator des portugiesischen Thrones (1832), Allgemeine Geschichte der neuesten Zeit (Münch, 1838) e Beiträge zur neueren Geschichte der Pyrenäischen Halbinsel (1865) — como o primeiro núcleo sistemático de construção desse imaginário conspiratório. Metodologicamente, adota-se análise documental qualitativa, com crítica externa e interna, cotejo historiográfico e diálogo com a literatura médico-legal. Evidências toxicológicas contemporâneas, que indicam níveis elevados de arsênico em material orgânico associado ao monarca, renovam a pertinência dos relatos oitocentistas sem resolver o problema central da autoria. Conclui-se que o envenenamento é historicamente altamente plausível, mas que a imputação direta de responsabilidade ao cirurgião-mor permanece condicionada por vieses faccionais e lacunas documentais.
Fields of Study & Subjects
Historical and Scientific Studies
European Political History Analysis
History
Medicine
and Leadership
Publication details
- Journal / source
- Revista Contemporânea
- Volume
- 6
- Issue
- 1
- Pages
- e10103–e10103
- Publication date
- 12 January 2026