DIÁLOGOS ACESSÍVEIS: CONSTRUINDO NARRATIVAS VISUAIS INCLUSIVAS COM A AUDIODESCRIÇÃO
Abstract
Este artigo propõe uma reflexão sobre a audiodescrição (AD) como ato criador, abordando-a não apenas como ferramenta de mediação, mas como experiência artística que transforma a percepção e o compartilhamento da arte. Ao deslocar o foco do acesso para o sensível, a pesquisa revela que a acessibilidade é também uma forma de criação, capaz de ampliar os horizontes estéticos e políticos da produção artística. Como metodologia realiza-se um estudo de caso com um grupo de teatro de sombras que utiliza a sombradescrição, uma modalidade de audiodescrição integrada ao processo criativo. A análise é construída a partir de entrevistas com uma das atrizes do grupo e uma espectadora cega e consultora de audiodescrição. A pesquisa articula dimensões empíricas e teóricas, apoiando-se em autores dos estudos críticos da deficiência e da teoria crip, como McRuer, Garland-Thomson e Siebers. Esses referenciais permitem compreender a deficiência como diferença produtiva e a acessibilidade como gesto político, revelando que a arte inclusiva é também uma arte transformadora — capaz de reinventar os modos de ver, ouvir, sentir e imaginar. Esse panorama aponta para a necessidade de uma mudança de paradigma na cultura: da acessibilidade como obrigação normativa para a acessibilidade como linguagem estética e prática emancipadora.
Fields of Study & Subjects
Subtitles and Audiovisual Media
Disability Rights and Representation
Visual Culture and Art Theory
Publication details
- Journal / source
- Aracê.
- Volume
- 8
- Issue
- 1
- Pages
- e11795–e11795
- Publication date
- 12 January 2026