INTERVENÇÕES FARMACOLÓGICAS E CIRÚRGICAS NAS LESÕES MEDULARES TRAUMÁTICAS
Abstract
A lesão medular traumática (LMT) constitui uma condição neurológica grave, associada a déficits motores, sensitivos e autonômicos, com impacto significativo na funcionalidade e na qualidade de vida. Além do dano mecânico primário, a LMT desencadeia uma cascata de eventos fisiopatológicos secundários, incluindo edema, disfunção vascular, excitotoxicidade e neuroinflamação, que contribuem para a progressão da lesão e para a variabilidade dos desfechos clínicos. Nesse contexto, estratégias terapêuticas precoces e o adequado monitoramento da recuperação natural são fundamentais para a preservação do tecido neural viável e otimização do prognóstico funcional. O objetivo deste estudo foi sintetizar as evidências científicas recentes acerca das intervenções cirúrgicas, farmacológicas e emergentes no manejo da lesão medular traumática, bem como compreender os padrões de recuperação neurológica e o papel do monitoramento por imagem. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, realizada na base de dados PubMed, utilizando os descritores Traumatic Spinal Cord Injuries, Therapy e Diagnosis, combinados por operadores booleanos AND e OR, conforme a terminologia MeSH. Foram incluídos artigos publicados nos últimos cinco anos, em língua inglesa, com acesso ao texto completo e foco direto no manejo terapêutico da LMT, priorizando ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas. Os resultados demonstram que a descompressão cirúrgica precoce, preferencialmente nas primeiras 24 horas após o trauma, está associada a melhores desfechos neurológicos, independentemente da gravidade ou localização da lesão, além de reduzir complicações relacionadas à imobilidade prolongada. No campo farmacológico, agentes como o riluzol apresentaram perfil de segurança adequado, porém sem benefício estatisticamente significativo no desfecho motor primário, enquanto o uso de metilprednisolona em altas doses é atualmente desencorajado devido à ausência de eficácia comprovada e ao risco elevado de efeitos adversos. Terapias emergentes, como o uso de células-tronco mesenquimais e técnicas de neuromodulação não invasiva, demonstraram segurança e potencial benefício funcional em estudos iniciais, especialmente em lesões incompletas. Observou-se ainda que a recuperação neurológica espontânea ocorre predominantemente nos primeiros seis a nove meses após o trauma, sendo mais intensa nos primeiros três meses, com maior potencial em pacientes com lesões incompletas. A ressonância magnética, especialmente em abordagens multiparamétricas, mostrou-se essencial para o monitoramento evolutivo, estratificação prognóstica e diferenciação entre recuperação natural e efeitos terapêuticos. Conclui-se que o manejo da lesão medular traumática deve integrar intervenções cirúrgicas precoces, cautela no uso de terapias farmacológicas tradicionais, incorporação progressiva de estratégias regenerativas e neuromodulatórias, além de acompanhamento clínico e por imagem, visando uma abordagem individualizada e baseada em evidências para maximizar a recuperação funcional.
Fields of Study & Subjects
Spinal Cord Injury Research
Spinal Fractures and Fixation Techniques
Spinal Hematomas and Complications
Publication details
- Journal / source
- Aracê.
- Volume
- 8
- Issue
- 2
- Pages
- e12043–e12043
- Publication date
- 3 February 2026