CARTOGRAFIA ARQUETÍPICA E PRÁTICAS LITERÁRIAS: O PAPEL DA LINGUAGEM SIMBÓLICA NO PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO
Abstract
O presente artigo investiga o papel das práticas literárias, culturais e simbólicas na formação da consciência de si e do mundo, à luz da psicologia analítica. Parte-se da constatação de que a modernidade e a contemporaneidade, marcadas pela racionalidade instrumental, pela aceleração dos fluxos informacionais e pela fragmentação das referências simbólicas, produziram um empobrecimento da experiência subjetiva e um aumento significativo do sofrimento psíquico. Nesse contexto, defende-se que os símbolos, os arquétipos e as estruturas narrativas — especialmente a jornada do herói — constituem dispositivos fundamentais de organização, integração e elaboração da experiência humana. A partir das contribuições de Carl Gustav Jung, Marie-Louise von Franz, Northrop Frye, Giorgio Agamben e Yuval Noah Harari, analisa-se como as narrativas literárias e culturais operam como cartografias simbólicas do processo de individuação, articulando razão, emoção, imaginação e ética. Discute-se, ainda, o modo como as práticas literárias contemporâneas, organizadas em redes, comunidades simbólicas e estéticas glocais, preservam e atualizam a plasticidade cultural dos arquétipos, oferecendo possibilidades de reconstrução da experiência simbólica, favorecendo experiências narrativas capazes de sustentar o desenvolvimento emocional, a integração psíquica e a construção ética do sujeito no interior da vida social contemporânea.
Fields of Study & Subjects
Jungian Analytical Psychology
Literary Theory and Cultural Hermeneutics
Psychoanalysis and Social Critique
Publication details
- Journal / source
- Aracê.
- Volume
- 8
- Issue
- 2
- Pages
- e12211–e12211
- Publication date
- 16 February 2026
- Language
- PT