ALÉM DA PUREZA: CRÍTICA EPISTEMOLÓGICA AO NORMATIVISMO KELSENIANO E DIRETRIZES PARA UMA CIÊNCIA JURÍDICA RIGOROSA E EMANCIPATÓRIA
Abstract
O artigo desenvolve uma crítica epistemológica ao normativismo kelseniano, demonstrando que a pretensão de neutralidade axiológica e de pureza metodológica converte a ciência do direito em topografia do ordenamento estatal, com custos cognitivos e sociais relevantes. Em diálogo com Bachelard, Kuhn e Foucault, e com a tradição marxista (Pachukanis, Engels/Kautsky, Mascaro), argumenta-se que a norma não pode ser o único objeto da ciência jurídica e que a descrição não se sustenta sem decisões interpretativas e pressupostos valorativos. Reconstrói-se, então, um programa positivo: (i) redefinição do objeto como ciclo jurídico completo (produção, estabilização, aplicação, resistência); (ii) método reflexivo e plural, com contraprovas empíricas; (iii) papel do jurista como intelectual público; (iv) reforma curricular da Teoria Geral; e (v) critérios de cientificidade que incluam explicatividade e responsabilidade epistêmica. Conclui-se que requalificar o formalismo, e não abandoná-lo, é condição para uma ciência jurídica rigorosa e emancipatória.
Fields of Study & Subjects
Brazilian Legal Issues
Legal and Social Philosophy
Comparative constitutional jurisprudence studies
Publication details
- Journal / source
- Boletim de Conjuntura (BOCA)
- Volume
- 25
- Issue
- 74
- Pages
- e8100–e8100
- Publication date
- 12 January 2026