BIBLIOTECAS COMO DISPOSITIVOS DE VIGILÂNCIA EPISTÊMICA: ÉTICA, PODER E AUTONOMIA INFORMACIONAL
Abstract
As transformações sociotécnicas contemporâneas intensificaram as formas de controle, monitoramento e filtragem do conhecimento, configurando um cenário em que bibliotecas físicas e digitais assumem funções que extrapolam a mediação informacional tradicional. Este artigo analisa como as bibliotecas atuam como dispositivos de vigilância epistêmica, entendida como o conjunto de mecanismos técnicos, institucionais e discursivos que regulam o que pode ser conhecido, como pode ser conhecido e por quem tal conhecimento se torna acessível. A partir de uma abordagem teórico-conceitual ancorada em Foucault, Deleuze e Zuboff, discute-se como práticas de curadoria, políticas de acervo, sistemas de metadados, métricas de uso, algoritmos de recomendação e indicadores de avaliação científica estruturam formas de poder-saber que impactam diretamente a produção, circulação e legitimação da informação. Argumenta-se que, embora desempenhem papel estratégico na democratização do acesso, as bibliotecas também participam, ainda que de modo muitas vezes silencioso, de processos de hierarquização epistêmica, exclusão cognitiva e normatização de comportamentos informacionais. Analisa-se, ainda, como essas práticas afetam a autonomia crítica dos sujeitos e produzem dependências epistêmicas em ambientes digitais altamente mediados. Por fim, propõem-se diretrizes éticas e formativas para uma mediação informacional emancipatória, orientada pela transparência, pela justiça cognitiva e pela promoção do letramento informacional crítico como fundamento da cidadania informacional contemporânea.
Fields of Study & Subjects
Information Science and Libraries
Library Science and Information
Foucault
Power
and Ethics
Publication details
- Journal / source
- LUMEN ET VIRTUS
- Volume
- 17
- Issue
- 56
- Pages
- e11855–e11855
- Publication date
- 19 January 2026