TECNOLOGIAS CLIMÁTICAS E O GARGALO DO FINANCIAMENTO: O PARADOXO BRASILEIRO ENTRE A POSIÇÃO ESTRATÉGICA PARA O CLIMA GLOBAL E A PERIFERIA NO FLUXO DE INVESTIMENTOS EM INOVAÇÃO CLIMÁTICA
Abstract
O enfrentamento das mudanças climáticas depende, em grande medida, do desenvolvimento e da difusão de tecnologias climáticas, cuja viabilização requer volumes expressivos de investimento. Este artigo tem por objetivo analisar o gargalo do financiamento das tecnologias climáticas no Brasil, examinando o paradoxo entre a posição estratégica do país para o clima global e sua condição periférica no fluxo de investimentos em inovação climática. Adotou-se pesquisa bibliográfica e documental, de natureza qualitativa, com base em relatórios especializados e em documentos de referência internacionais. Os resultados evidenciam que existe um descompasso profundo entre as necessidades globais de financiamento para a transição de baixo carbono, estimadas em trilhões de dólares anuais, e os fluxos efetivamente disponibilizados, sobretudo para economias em desenvolvimento. Constatou-se que, no caso brasileiro, apesar do enorme potencial em bioeconomia e da liderança nas discussões sobre transição energética, o país recebe parcela ínfima dos investimentos globais em empresas de tecnologia climática, e que o principal gargalo não é tecnológico, mas estrutural no sistema financeiro. Conclui-se que superar esse paradoxo exige reconhecer a inovação climática como política de Estado, adequar os instrumentos financeiros aos ciclos longos e de maior risco dessas tecnologias e aprimorar a regulação, sob pena de o potencial estratégico do país permanecer inexplorado.
Fields of Study & Subjects
Agricultural and Food Sciences
Bioeconomy and Sustainability Development
Urban Arborization and Environmental Studies
Publication details
- Journal / source
- LUMEN ET VIRTUS
- Publisher
- Seven Events
- Volume
- 17
- Issue
- 63
- Pages
- e13943–e13943
- Publication date
- 3 August 2026