MEMÓRIA COLETIVA, TRAUMA E SUICÍDIO EM POVOS INDÍGENAS
Abstract
O suicídio indígena no Brasil constitui um fenômeno complexo, cuja compreensão ultrapassa explicações individualizantes ou biomédicas. Este artigo apresenta uma revisão integrativa que analisa como a memória coletiva do trauma histórico da desterritorialização contribui para a produção do sofrimento indígena contemporâneo. A busca foi realizada nas bases SciELO, LILACS, BVS e BDTD, entre 2020 e 2025. Os resultados indicam que o suicídio indígena está profundamente relacionado às violências coloniais, à ruptura territorial e à fragilização das redes comunitárias. A desterritorialização afeta dimensões espirituais, cosmológicas e identitárias, provocando descontinuidades na vida coletiva e intensificando sentimentos de desamparo entre jovens. A memória coletiva de massacres, expulsões e abandono estatal, quando não elaborada, transforma-se em trauma histórico, permeando narrativas, afetos e formas de pertencimento. Por outro lado, processos de retomada territorial e reafirmação cultural demonstram potencial para ressignificar memórias traumáticas e fortalecer a resistência comunitária. Conclui-se que políticas de prevenção ao suicídio indígena devem integrar ações de saúde mental com garantia territorial, fortalecimento cultural e reconhecimento da autonomia dos povos indígenas. O presente artigo foi escrito como forma de aprovação para a disciplina de Memória, Identidade e Patrimônio do programa de pós graduação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
Fields of Study & Subjects
Indigenous Health and Education
Indigenous Studies in Latin America
Memory
Trauma
and Testimony
Publication details
- Journal / source
- Revista de Geopolítica
- Volume
- 17
- Issue
- 1
- Pages
- e1216–e1216
- Publication date
- 8 January 2026