A LIBRAS COMO PRIMEIRA LÍNGUA PARA A APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS SURDAS
Abstract
O artigo reflete a centralidade da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua (L1) e pilar fundamental para o desenvolvimento cognitivo e a aprendizagem da criança surda. Fundamentado em uma perspectiva socioantropológica e bilíngue, o trabalho discute a distinção entre língua e linguagem, utilizando as matrizes teóricas de Saussure, Chomsky, Skinner, Krashen e as vertentes interacionistas de Piaget e Vygotsky. Demonstra-se que a Libras, enquanto sistema linguístico autônomo de modalidade visual-espacial, possui equivalência funcional às línguas orais, sendo capaz de ativar o dispositivo biológico de aquisição da linguagem e organizar as funções psicológicas superiores. A investigação destaca que o acesso precoce à Libras é imperativo para evitar o deprivamento linguístico e garantir a constituição da subjetividade e identidade do sujeito. Além disso, discute-se a assimetria na apropriação do Português escrito, evidenciando que, para o aluno surdo, esta configura-se como uma segunda língua (L2), exigindo estratégias de ensino diferenciadas. Conclui-se que a legitimação científica dos cinco parâmetros da Libras (Configuração de Mão, Ponto de Articulação, Movimento, Orientação e Expressões Não Manuais) ratifica seu status de língua de pleno direito. Assim, a institucionalização de uma pedagogia bilíngue bimodal não é apenas uma escolha metodológica, mas o cumprimento de um direito humano fundamental que assegura justiça social, autonomia e o acesso pleno ao conhecimento e à cidadania por parte do estudante surdo.
Fields of Study & Subjects
Hearing Impairment and Communication
Hume's philosophy and hair distribution
Corporeality
Perception
and Education
Publication details
- Journal / source
- Revista de Geopolítica
- Publisher
- Seven Events
- Volume
- 17
- Issue
- 4
- Pages
- e2205–e2205
- Publication date
- 24 April 2026