Orientalismo? A experiência japonesa em Barthes: as dimensões da estética, do silêncio e do estranho

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Authors: Cácio José Ferreira, Luciana Barreto Machado Rezende
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Abstract

Neste ensaio analisaremos a experiência japonesa na obra O império dos signos, de Roland Barthes, compreendendo-a como gesto estético e teórico de deslocamento dos regimes ocidentais de significação. Partindo da recusa barthesiana da descrição etnográfica e da explicação cultural, o texto evidencia como o Japão é assumido como constructo ficcional e dispositivo crítico, por meio dos quais entrelaçam-se categorias centrais do pensamento ocidental, tais como interioridade, profundidade, representação e sentido pleno. O texto dialoga com a crítica do orientalismo formulada por Edward Said, situando Barthes em uma zona ambígua entre ruptura e continuidade, na medida em que a sua escrita refuga a domesticação epistemológica do Outro, mas permanece timbrada pelo ponto de vista ocidental. A análise privilegia categorias como silêncio, vazio, fragmento, superfície e intervalo (ma), articuladas a práticas estéticas, como o haicai, o bunraku, a caligrafia e a materialidade da escrita. Em diálogo com Eric Marty e Shuichi Kato, este ensaio sustenta que a experiência japonesa em Barthes opera como exercício de estranhamento produtivo e desaprendizagem, propondo uma ética da leitura fundada na suspensão do sentido e na abertura ao estranho como forma de crítica ao logocentrismo ocidental.

Fields of Study & Subjects

Cultural Studies and Colonialism French Literature and Critical Theory Semiotics and Representation Studies

Publication details

Journal / source
desleituras Literatura Filosofia Cinema e outras artes
Volume
15
Issue
15
Pages
136–153
Publication date
6 February 2026