Quebras: A pintura travesti como ato de (re)existência na Amazônia paraense
Abstract
Este artigo analisa a série de pinturas Quebras, da artista travesti Rafael Matheus Moreira, como um ato de (re)existência na Amazônia Paraense. A produção artística em questão questiona o cânone ocidental ao ressignificar gêneros clássicos da pintura, inserindo corpos travestis como protagonistas, em contraposição às representações historicamente fetichizadas ou marginalizadas. Inspirada no movimento popular Raio que o Parta, que utilizava cacos de azulejos para compor fachadas modernistas, a artista emprega a metáfora da “quebra” para simbolizar a desconstrução de olhares cisgêneros e a reconstrução de identidades travestis por meio da arte. O estudo tem como objetivo refletir sobre a pintura como gesto político de insurgência e celebração da existência trans, abordando temas como memória coletiva, resistência e subversão de narrativas hegemônicas. Metodologicamente, a pesquisa ancora-se em uma abordagem autobiográfica e etnográfica, articulando referências teóricas da arte queer, estudos de gênero e memória social. Como resultados, evidencia-se que a trajetória e o reconhecimento institucional da artista — com exposições em espaços como o MASP e premiações como o Arte Pará — configuram fissuras no sistema normativo da arte, afirmando a pintura como prática de cura, registro e reexistência. Conclui-se que a obra Quebras opera como um arquivo visual e afetivo, abrindo espaços para a visibilidade e a reinvenção de futuros possíveis para pessoas trans na Amazônia e além.
Fields of Study & Subjects
Gender and Feminist Studies
Gender
Sexuality
and Education
Art
Politics
and Modernism
Publication details
- Journal / source
- Palíndromo
- Volume
- 17
- Issue
- 43
- Pages
- 1–23
- Publication date
- 9 January 2026