O Juramento e o Abismo
Abstract
Este ensaio examina criticamente a associação entre eutanásia e doação de órgãos à luz do princípio hipocrático da não maleficência. Partindo do Juramento de Hipócrates como fundamento histórico e moral da prática médica, o texto argumenta que a integração entre provocar a morte e beneficiar terceiros por meio da doação cria uma tensão estrutural no interior da bioética contemporânea. Embora apresentada em alguns países como expressão de autonomia e altruísmo, a doação de órgãos após eutanásia pode introduzir um circuito simbólico que transforma a morte em meio terapêutico, reconfigurando seu significado moral.A análise sustenta que a chamada “engenharia ética processual” — centrada na validade formal do consentimento e na separação protocolar entre os atos — não resolve a contradição entre matar e curar. Mesmo quando juridicamente regulamentada, tal prática levanta questões sobre instrumentalização do paciente, utilitarismo e relativismo moral. O ensaio propõe que a dignidade intrínseca da vida humana constitui limite não negociável da medicina, conforme reconhecido na tradição hipocrática e reafirmado por marcos éticos como Nuremberg e Helsinque.Conclui-se que a preservação do princípio hipocrático não é nostalgia normativa, mas condição para que a medicina mantenha sua identidade moral em contextos de crescente tecnicização das decisões sobre o fim da vida.O Juramento e o Abismo - by Line of Life and Fabio SilveiraEnsaio faz parte da coleção Line of life (www.lineoflife.care)
Fields of Study & Subjects
Ethics and bioethics in healthcare
Organ Donation and Transplantation
Palliative and Oncologic Care
Publication details
- Journal / source
- Figshare
- Publication date
- 1 January 2026
- Language
- PT