BIOENGENHARIA SAGRADA: CORPO, INICIAÇÃO E TECNOLOGIAS ANCESTRAIS NAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA
Abstract
Este artigo analisa o corpo e a iniciação nas religiões de matriz africanacomo expressões de uma bioengenharia sagrada, isto é, como tecnologias ancestrais sofisticadas de produção, manutenção e transmissão da vida. A partir de revisão teórico-bibliográfica, demonstra-se que o corpo não constitui mero suporte passivo do sagrado, mas território ativo de inscrição do Àṣẹ, onde natureza, ancestralidade e divindade convergem. O trabalho articula três eixos fundamentais: (1) o corpo como categoria ontológica nas cosmologias africanas, em contraste com a cisão cartesiana moderna; (2) a iniciação como processo técnico de reconfiguração do Orí e inserção consciente na rede de circulação vital; (3) as ervas, o sangue e o transe como elementos constitutivos de uma farmacopeia ritual empiricamente fundamentada. Argumenta-se que essas práticas representam não folclore ou superstição, mas sistemas complexos de cuidado integral que articulam saúde física, mental, espiritual e comunitária. O estudo evidencia que reconhecer a iniciação como bioengenharia implica superar epistemicídios históricos e afirmar a pluralidade de racionalidades legítimas na produção de conhecimento sobre o corpo e a vida.
Fields of Study & Subjects
Religious Studies and Spiritual Practices
Race
Identity
and Education in Brazil
African cultural and philosophical studies
Publication details
- Journal / source
- Aurum Revista Multidisciplinar
- Volume
- 2
- Issue
- 1
- Pages
- 1–9
- Publication date
- 12 January 2026