Um acordo de cavalheiros
Abstract
O artigo analisa o Fundo Monetário Internacional (FMI) a partir de uma perspectiva decolonial, concentrando-se no sistema de quotas como instrumento de reprodução de hierarquias globais herdadas do colonialismo. Embora o FMI seja formalmente apresentado como uma instituição técnica e neutra, sua governança reflete os interesses das potências centrais, limitando a autonomia econômica de países periféricos e perpetuando desigualdades históricas. O artigo examina a origem do FMI em Bretton Woods, destacando como decisões iniciais foram moldadas por um grupo restrito de economistas e diplomatas das grandes potências. A análise crítica evidencia que países de alta renda concentram a maior parte das quotas e votos, enquanto o Sul Global permanece sub-representado, ilustrando a colonialidade do poder. A pesquisa, baseada em abordagem interpretativo-analítica e fontes oficiais do FMI e literatura especializada, busca responder a seguinte pergunta: de que maneira o funcionamento do FMI, particularmente do sistema de quotas, reproduz a colonialidade do poder? Por fim, propõe-se que a compreensão decolonial da governança do FMI é fundamental para repensar reformas que promovam justiça, representatividade e autonomia no sistema econômico global.
Fields of Study & Subjects
Decolonial Thought and Epistemologies
World Systems and Global Transformations
Global Financial Crisis and Policies
Publication details
- Journal / source
- Campos Neutrais - Revista Latino-Americana de Relações Internacionais
- Volume
- 7
- Issue
- 3
- Pages
- 6–25
- Publication date
- 15 January 2026
- Language
- PT