A COVID-19 E A MORTE COMO POLÍTICA DE ESTADO NO BRASIL
Abstract
Este artigo analisa as ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19 no Brasil sob a ótica da filosofia política contemporânea, mobilizando os conceitos de biopolítica em Michel Foucault, estado de exceção e vida nua em Giorgio Agamben, e necropolítica em Achille Mbembe. O estudo examina como a gestão do governo federal brasileiro estruturou uma verdadeira política da morte por meio de discursos negacionistas, oposição às medidas de isolamento social e promoção da polarização política baseada na retórica belicosa entre nós e eles. A análise aponta que, sob a égide do neoliberalismo e da defesa irrestrita do mercado, o Poder Executivo expôs as populações mais vulneráveis ao colapso do Sistema Único de Saúde (SUS) e à insuficiência das políticas de auxílio emergencial. Conclui-se que o desdém governamental pela ciência e a violação sistemática dos direitos humanos transformaram o país em um dos epicentros globais da crise sanitária, convertendo a produção da morte em uma engrenagem regular e deliberada da soberania estatal.
Fields of Study & Subjects
Hermeneutics and Narrative Identity
Aging
Elder Care
and Social Issues
Health
Medicine and Society
Publication details
- Journal / source
- Espirales - revista para a integração da América Latina e Caribe
- Publisher
- Universidade Federal da Integração Latino-Americana
- Volume
- 5
- Issue
- 2
- Pages
- 200–206
- Publication date
- 24 June 2026