A COMPLEXIFICAÇÃO DO TRAUMA NA MODERNIDADE: MEMÓRIA, RECONHECIMENTO E REPARAÇÃO
Abstract
Este trabalho investiga o processo de complexificação do trauma na modernidade e as implicâncias dessas transformações nas políticas memoriais de reconhecimento e reparação do sofrimento. Parte-se do entendimento de que o conceito de vítima, amplamente mobilizado nas ciências sociais, jurídicas e da saúde, constitui-se como uma categoria histórica e relacional, que se transforma de acordo com contextos políticos e culturais. Vinculado em sua origem ao campo religioso e sacrificial, esse conceito é progressivamente ressignificado com a consolidação dos direitos civis e sociais, tornando-se símbolo moral de dignidade, reconhecimento e reparação. No século XX, as experiências de violência em larga escala — guerras mundiais, regimes totalitários e o Holocausto — contribuíram para consolidar a vítima como emblema político e fundamento das políticas de memória e direitos humanos. Na contemporaneidade, a introdução do diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) no DSM-III am pliou o reconhecimento clínico do sofrimento e universalizou a linguagem do trauma, ao mesmo tempo em que intensificou dilemas sobre a normatização e a cristalização identitária da condição de vítima. Nesse percurso, este estudo defende que a psicanálise oferece aportes decisivos ao compreender o trauma como experiência atravessada por processos subjetivos, simbólicos e discursivos, evitando sua fixação como identidade definitiva e abrindo espaço para a elaboração singular do sofrimento.
Fields of Study & Subjects
Memory
History
Trauma
Identity
violence
and history
and Commemoration
Publication details
- Journal / source
- Revista fisio&terapia.
- Volume
- 30
- Issue
- 154
- Pages
- 26–27
- Publication date
- 27 January 2026