A ORIGEM DA CONSCIÊNCIA COMO PROCESSO INFORMACIONAL: DA MITOLOGIA À ARQUITETURA HOLOGRÁFICA DA REALIDADE

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Authors: Muriel Rodrigues Fernandes
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Abstract

A origem da consciência permanece como um dos problemas centrais não resolvidos da ciência contemporânea. Modelos tradicionais tendem a reduzi-la a um epifenômeno da atividade neural ou a um produto emergente da complexidade biológica, enquanto tradições filosóficas, mitológicas e antropológicas descrevem a consciência como um processo de separação, morte simbólica e reintegração com um princípio mais amplo da realidade. Este artigo propõe que tais descrições simbólicas não constituem meras narrativas culturais, mas expressam, de forma arquetípica, um mesmo mecanismo universal de reorganização da experiência consciente. A partir de uma análise comparativa entre a psicologia profunda (Jung, Neumann), a antropologia das religiões (Eliade), a mitologia comparada (Campbell) e os estudos sobre a evolução da consciência (Gebser), estabelece-se um paralelismo rigoroso entre os estágios da chamada “jornada do herói” e processos de emergência, colapso e reconstrução da identidade consciente. Nesse contexto, introduz-se a Arquitetura Holográfica da Construção da Realidade (AHCR) como um modelo teórico capaz de integrar essas abordagens simbólicas a uma leitura físico informacional da consciência. Segundo essa arquitetura, a consciência torna-se operacionalmente relevante quando sistemas cognitivos entram em regimes específicos de coerência informacional, possibilitando a diferenciação do ego, o acesso transitório a campos informacionais ampliados e, posteriormente, a reconstrução simbólica do Self em níveis mais integrados de organização. Argumenta-se ainda que estados de dissolução do ego, ritos de iniciação e experiências liminares, descritos tanto em contextos xamânicos quanto em relatos contemporâneos de estados alterados de consciência, podem ser compreendidos como transições entre regimes informacionais distintos, e não apenas como alucinações subjetivas. Esses estados refletem mudanças estruturais na dinâmica entre sensação, emoção, memória e auto-representação. O artigo também investiga a origem da consciência humana a partir da hipótese de que a senciência, entendida como a capacidade de sentir estados subjetivos dotados de valência afetiva, constitui o núcleo fundamental da experiência consciente. Com base em contribuições recentes da neurociência e da filosofia da mente, especialmente na proposta de Nicholas Humphrey sobre a senciência como uma invenção evolutiva interior, sustenta-se que a consciência não emerge primariamente da cognição abstrata, mas da simulação interna de estados corporais sentientes. Por fim, articula-se essa perspectiva com a virada contemporânea da física teórica e da cosmologia, em que o espaço-tempo passa a ser tratado como propriedade emergente e a realidade como um processo contínuo de atualização informacional, reconfigurando a leitura clássica do Big Bang como “explosão material” e aproximando-o de uma transição de fase informacional. Nesse enquadramento, propõe-se que a consciência pode ser compreendida como um processo informacional simbiótico, no qual realidade subjetiva emerge da interação dinâmica entre informação, valência afetiva e intenção, estabelecendo bases conceituais para a computação simbiótica biomimética e para investigações experimentais voltadas à validação empírica desta hipótese, incluindo sistemas como o NeuroMuse.

Fields of Study & Subjects

Philosophy and Theoretical Science Jungian Analytical Psychology Paranormal Experiences and Beliefs

Publication details

Journal / source
Revista fisio&terapia.
Volume
30
Issue
154
Pages
58–59
Publication date
29 January 2026