ANESTESIA EM PACIENTES PEDIATRICOS COM EPILEPSIA REFRATARIA A TRATAMENTO MEDICAMENTOSO SUBMETIDOS A CRANIOTOMIA PELA TECNICA SONO-VIGILIA-SONO: REVISAO DE LITERATURA
Abstract
Introdução: A craniotomia pela técnica sono–vigília–sono (“asleep–awake–asleep”) tem se consolidado como abordagem fundamental para ressecção de lesões em áreas eloquentes, possibilitando mapeamento cortical direto com o paciente acordado. Apesar de amplamente descrita em adultos, sua aplicação em crianças e adolescentes ainda é limitada, especialmente devido às particularidades cognitivas e comportamentais que podem influenciar a colaboração durante o procedimento. Nesse contexto, o manejo anestésico torna-se um dos principais determinantes para o sucesso cirúrgico, exigindo planejamento rigoroso, seleção adequada dos pacientes e atuação integrada de equipes multiprofissionais.Objetivo: Descrever o manejo anestésico de pacientes com epilepsia refratária submetidos à craniotomia pela técnica sono–vigília–sono, abordando a condução anestésica, as drogas empregadas e a evolução intraoperatória. Método: Revisão de literatura com abordagem qualitativa e exploratória. A busca bibliográfica foi realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Cochrane, ScienceDirect/Elsevier, SciELO e LILACS, no período de 2019 a 2025, nos idiomas inglês, português e espanhol, utilizando descritores e termos livres relacionados à epilepsia refratária, craniotomia, anestesia e população pediátrica, combinados por operadores booleanos. A seleção dos estudos seguiu hierarquia de evidência, com inclusão complementar pelo método snowballing. Resultados: A literatura indica que a craniotomia pela técnica sono–vigília–sono é factível em pacientes com epilepsia refratária, inclusive na população pediátrica, quando realizada em centros especializados. O manejo anestésico baseou-se principalmente no uso de agentes hipnóticos de curta duração, como propofol, associados a opioides de ação rápida, permitindo mudanças seguras entre os estágios anestésicos. A monitorização neurofisiológica intraoperatória foi essencial para o mapeamento cortical e para a detecção de eventos epilépticos, com baixa taxa de complicações anestésicas relatadas. Conclusão: A técnica sono–vigília–sono mostrou-se segura e viável em adolescentes e, até mesmo, em crianças, desde que sejam criteriosamente selecionados e que o procedimento seja conduzido por equipe experiente e com preparo pré-operatório estruturado. A integração multiprofissional, o planejamento anestésico individualizado e a monitorização contínua foram fundamentais para o sucesso dos procedimentos e para a ausência de complicações significativas.
Fields of Study & Subjects
Anesthesia and Sedative Agents
Epilepsy research and treatment
Anesthesia and Pain Management
Publication details
- Journal / source
- Revista fisio&terapia.
- Volume
- 30
- Issue
- 154
- Pages
- 50–51
- Publication date
- 19 January 2026