Câncer Pancreático Exócrino: Tratamento cirúrgico e prognóstico
Abstract
Introdução: O câncer pancreático exócrino, predominantemente o adenocarcinoma ductal, é uma das neoplasias mais agressivas e letais do trato gastrointestinal, apresentando altas taxas de mortalidade e diagnóstico frequentemente tardio. Estima-se que a maioria dos casos seja identificada em estágios avançados, quando a ressecção cirúrgica curativa não é mais possível. Apesar dos avanços no diagnóstico por imagem e nas terapias adjuvantes, a cirurgia permanece o principal método capaz de oferecer potencial de cura. O tratamento cirúrgico visa à ressecção completa do tumor com margens livres (R0) e linfadenectomia adequada, sendo o principal determinante de sobrevida a longo prazo. Objetivo: discutir a visão geral da cirurgia no tratamento do câncer pancreático exócrino e prognóstico. Metodologia: O presente estudo trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em publicações científicas entre 2012 e 2024 nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e Google Scholar. Foram utilizados os descritores: “câncer pancreático exócrino”, “cirurgia pancreática”, “tratamento cirúrgico” e “prognóstico”. Foram selecionados artigos de revisão, estudos clínicos e diretrizes internacionais sobre o manejo cirúrgico do adenocarcinoma de pâncreas. Resultados e Discussão: A cirurgia curativa está indicada em pacientes com doença localizada e sem invasão vascular irreversível ou metástases à distância. Os principais procedimentos cirúrgicos incluem a duodenopancreatectomia cefálica (procedimento de Whipple), indicada para tumores de cabeça de pâncreas; a pancreatectomia distal, para tumores de corpo e cauda; e, em casos selecionados, a pancreatectomia total. O sucesso cirúrgico depende de fatores como experiência da equipe, controle hemodinâmico intraoperatório e manejo adequado de complicações pós-operatórias, como fístula pancreática e infecção. Nos últimos anos, o conceito de tratamento multimodal tem ganhado destaque, com a utilização de quimioterapia neoadjuvante em pacientes com tumores localmente avançados ou borderline ressecáveis, o que pode aumentar as taxas de ressecção R0 e melhorar a sobrevida global. Além disso, a introdução de técnicas minimamente invasivas, como a pancreatectomia laparoscópica e robótica, tem mostrado benefícios em tempo de recuperação e menor morbidade, sem comprometer os resultados oncológicos. Apesar dos avanços, o prognóstico do câncer pancreático exócrino permanece reservado. A taxa média de sobrevida global após cirurgia curativa varia entre 20% e 30% em cinco anos, sendo influenciada por fatores como estágio tumoral, margens cirúrgicas e resposta à terapia adjuvante. Conclusão: A cirurgia continua sendo o pilar fundamental no tratamento do câncer pancreático exócrino, representando a única possibilidade real de cura. A integração com terapias neoadjuvantes e adjuvantes, bem como o manejo multidisciplinar, tem contribuído para melhorar os resultados clínicos. O diagnóstico precoce e o encaminhamento a centros especializados são determinantes para o sucesso terapêutico e o aumento da sobrevida dos pacientes.
Fields of Study & Subjects
Pancreatic and Hepatic Oncology Research
Pancreatitis Pathology and Treatment
Cholangiocarcinoma and Gallbladder Cancer Studies
Publication details
- Journal / source
- Journal of Medical and Biosciences Research.
- Volume
- 3
- Issue
- 1
- Publication date
- 14 January 2026