Fotossensibilidade e lesões cutâneas no lúpus eritematoso sistêmico: Revisão sistemática

Read full text
Authors: Daniel José de Santana Júnior, Larissa Silva Bento, Pedro Campo Dallorto, Laís Caroline Mondadore, Guilherme Dias Santos, Giovanna Egypto Machado, Michelle Vieira Cordero, Maria Cristina Volpe Rico, Fernanda Kelly Lopes Cerqueira, Pedro Augusto Portela de Moura e Souza, Giselle Juliana de Jesus, Nicezia Vilela Junqueira Franqueiro
Cited by: 0

Abstract

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, inflamatória e multissistêmica, caracterizada pela produção de autoanticorpos, como FAN, anti-dsDNA e anti-Sm, que promovem formação de imunocomplexos, ativação do complemento e dano tecidual. Entre suas manifestações mais frequentes estão as lesões cutâneas e a fotossensibilidade, que podem representar as primeiras evidências clínicas da doença e atuar como marcadores de atividade sistêmica. A etiologia do LES é multifatorial, envolvendo predisposição genética (HLA-DR2, HLA-DR3, IRF5, STAT4), influência hormonal, especialmente em mulheres em idade reprodutiva, e fatores ambientais, com destaque para a radiação ultravioleta (UV), particularmente UVB. Esta revisão sistemática analisou estudos publicados entre 2019 e 2024 nas bases PUBMED, BVS e MEDLINE, selecionando 19 artigos que abordaram a relação entre radiação UV e fisiopatologia do lúpus cutâneo. Os achados demonstram que a UVB induz dano ao DNA dos queratinócitos, promovendo apoptose exacerbada. Em pacientes com LES, há falhas na depuração de debris apoptóticos, o que favorece a exposição de autoantígenos nucleares, como Ro/SSA e La/SSB. A interação desses antígenos com autoanticorpos circulantes leva à formação de imunocomplexos na junção dermoepidérmica, ativação do complemento e recrutamento inflamatório. Paralelamente, a liberação de DNA e RNA celulares ativa células dendríticas plasmocitoides, ampliando a produção de interferon tipo I e perpetuando o ciclo inflamatório. A fotossensibilidade emerge como marcador clínico precoce de flare, frequentemente antecedendo manifestações sistêmicas. Além do impacto biológico, as lesões cutâneas afetam significativamente a qualidade de vida, gerando sofrimento psicológico, isolamento social e estigmatização. Conclui-se que a radiação UV exerce papel central na fisiopatologia do LES cutâneo, e que o reconhecimento precoce das manifestações dermatológicas, aliado à fotoproteção rigorosa e ao acompanhamento multidisciplinar, é fundamental para prevenir progressão sistêmica e reduzir danos irreversíveis.

Fields of Study & Subjects

Systemic Lupus Erythematosus Research Skin Protection and Aging Systemic Sclerosis and Related Diseases

Publication details

Journal / source
Journal of Medical and Biosciences Research.
Volume
3
Issue
1
Publication date
26 February 2026
Language
PT