DERMATITE ATÓPICA GRAVE: IMPACTO DA DISBIOSE CUTÂNEA E DA COLONIZAÇÃO POR STAPHYLOCOCCUS AUREUS NO CONTROLE DA DOENÇA
Abstract
Introdução: A dermatite atópica (DA) é uma dermatose crônica, inflamatória e recidivante, caracterizada por prurido intenso e xerose cutânea. Em casos graves, o curso clínico se complica pela presença de disbiose cutânea e pela colonização persistente por Staphylococcus aureus, que agravam a inflamação e dificultam o controle terapêutico. A disbiose refere-se à alteração na composição da microbiota cutânea, favorecendo o crescimento de microrganismos potencialmente patogênicos e comprometendo a barreira cutânea. A colonização por S. aureus está claramente associada à severidade da doença, pois suas toxinas exacerbam a resposta inflamatória e aumentam a suscetibilidade a infecções secundárias. Compreender esses mecanismos tem implicações diretas na abordagem clínica da dermatite atópica grave.Objetivo: Analisar o impacto da disbiose cutânea e da colonização por Staphylococcus aureus no controle da dermatite atópica grave e discutir implicações terapêuticas baseadas em evidências de sociedades médicas e artigos de renome. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura científica, com base em artigos publicados em periódicos de alto impacto e em diretrizes de sociedades dermatológicas, como a American Academy of Dermatology (AAD) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Foram incluídos estudos que investigaram a relação entre microbiota cutânea, colonização por S. aureus e desfechos clínicos na dermatite atópica, priorizando trabalhos com metodologia robusta e relevância clínica. Discussão e Resultados: Diversos estudos demonstram que pacientes com dermatite atópica grave apresentam redução da diversidade microbiana cutânea, com predominância de S. aureus, em comparação com indivíduos saudáveis. Essa colonização favorece a produção de toxinas, como superantígenos, que ativam células T de forma não específica, intensificando a inflamação e agravando a lesão cutânea. A presença de S. aureus também está associada a maior frequência de exacerbações e resistência às terapias convencionais, como corticosteróides tópicos e imunomoduladores. Estratégias terapêuticas que visam restaurar a microbiota, como o uso de prebióticos, probióticos tópicos e terapias antimicrobianas seletivas, têm mostrado benefício em reduzir a carga de S. aureus e melhorar os sinais clínicos. Além disso, medidas que reforçam a barreira cutânea, como hidratantes específicos e agentes bloqueadores anti-inflamatórios, desempenham papel complementar importante. Conclusão: A disbiose cutânea e a colonização por Staphylococcus aureus exercem influência significativa na gravidade e no controle da dermatite atópica grave. A compreensão desses mecanismos amplia as opções terapêuticas e enfatiza a importância de abordagens que considerem a microbiota como alvo clínico, além das terapias anti-inflamatórias convencionais.
Fields of Study & Subjects
Dermatology and Skin Diseases
Neonatal skin health care
Psoriasis: Treatment and Pathogenesis
Publication details
- Journal / source
- A R International Health Beacon Journal (ISSN 2966-2168)
- Volume
- 3
- Issue
- 1
- Pages
- 25–36
- Publication date
- 7 January 2026