Habitar, resistir, reexistir: uma crítica feminista às metafísicas do progresso no campo brasileiro
Abstract
A presente resenha analisa criticamente a obra Mulheres em defesa do território, corpo, terra, águas (Paim & Furtado, 2024), destacando sua contribuição epistemológica, política e metodológica para os estudos rurais críticos no contexto brasileiro. A coletânea articula experiências empíricas de mulheres camponesas, indígenas, quilombolas e ribeirinhas a uma crítica estrutural ao agronegócio, à mineração, à financeirização da natureza e às narrativas hegemônicas de desenvolvimento. A partir do conceito transversal de “corpo-território”, os textos evidenciam como as formas contemporâneas de expropriação operam simultaneamente sobre os territórios e os corpos femininos, produzindo desigualdades interseccionais de gênero, raça e classe. A obra dialoga com a ecologia política feminista, a sociologia agrária crítica e perspectivas decoloniais, tensionando os fundamentos técnicos e ideológicos das intervenções modernizantes no campo. Além da denúncia das múltiplas violências socioambientais, o livro apresenta práticas de resistência e alternativas socioprodutivas, com ênfase na agroecologia, nos saberes tradicionais e na organização comunitária das mulheres. A resenha destaca a relevância da obra para a formação e atuação crítica na Agronomia e áreas afins, ao propor uma compreensão ampliada do rural como espaço de vida, conflito e reexistência. Por fim, aponta limites e possibilidades para o aprofundamento teórico e para a institucionalização dos saberes populares nas políticas públicas e na produção científica.
Fields of Study & Subjects
Agriculture
Land Use
Rural Development
Social Sciences and Humanities
Rural Development and Agriculture
Publication details
- Journal / source
- Re(senhas)
- Volume
- 3
- Pages
- e26001–e26001
- Publication date
- 28 January 2026