Qualificação da vegetação secundária do Bioma Pantanal

Read full text
Authors:  Cláudio Aparecido de Almeida,  Silvana Amaral,  Luciana de Souza Soler, Erison Carlos dos Santos Monteiro, Lívia Caroline César Dias,  Bruna Henrique Sacramento, Débora Tomiatti Giancola,  Rodrigo Lacerda Brito Neto, Luís Eduardo Pinheiro Maurano, Cassiano Gustavo Messias
Cited by: 0

Abstract

A vegetação secundária (VS) corresponde a áreas que, após o desflorestamento ou degradação da vegetação primária, apresentam regeneração de sua cobertura florestal. Devido à importância desta vegetação e dos serviços ecossistêmicos prestados, informações sobre ocorrência e caracterização das áreas de vegetação secundária são centrais para políticas públicas de conservação, reflorestamento e manejo sustentável. O objetivo deste documento é apresentar as análises e os resultados do diagnóstico qualitativo da vegetação secundária do bioma Pantanal. A partir do mapeamento de vegetação secundária, realizado pelo Projeto Monitoramento Ambiental dos Biomas Brasileiros: Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa, da Funcate em parceria com o INPE, de 2018 a 2022, são apresentadas análises baseadas no cálculo de idade dos fragmentos de VS e em métricas da paisagem, tais como tamanho, estrutura e conectividade. Como resultados, são descritas: as métricas de ecologia da paisagem (área, área core, índice de dimensão fractal, distância euclidiana ao vizinho mais próximo e tipo de vegetação vizinha mais próxima); a composição dos polígonos quanto às categorias fundiárias do bioma Pantanal; e a idade da vegetação. Foram analisados 4.548 polígonos de vegetação secundária, com áreas variando de 2 a mais de 10.000 ha, totalizando 118.802,99 ha. Há predomínio de polígonos de VS com área entre 2 e 20 ha (81,33% dos fragmentos), embora as maiores áreas estejam em fragmentos acima de 100 ha. Quanto à área core, as diferentes distâncias de borda analisadas apresentaram respostas distintas sobre a estrutura da paisagem e distribuição dos fragmentos florestais nas classes de área central, com destaque à disparidade na proporção de fragmentos sem área core em distâncias de borda de 30 m (8 fragmentos) e 120 m (3.360 fragmentos). A maioria das áreas de VS têm como vizinho mais próximo polígonos de vegetação primária (89,95% dos fragmentos; 95,99% da área), em uma paisagem com boa conectividade. Quanto à idade, há mais fragmentos de 4 anos (2.926 fragmentos; 100.064,86 ha), tanto em número, quanto em área. Quanto às categorias fundiárias, a VS do bioma Pantanal predomina em Áreas sem Registro Fundiário (44,054%) e de Propriedade Privada (Dados SIGEF) (38,618%). Análises desta natureza são importantes como subsídio a tomadores de decisão e na confecção de políticas públicas, como exemplo na determinação de áreas prioritárias para a conservação e/ou recuperação ambiental. Os resultados apresentados são produto de uma parceria entre o INPE e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) para suprir a demanda do Governo Federal para qualificação destas áreas em regeneração, tendo vistas ao Plano Nacional de Vegetação Nativa (PLANAVEG). ABSTRACT: Secondary vegetation (SV) represents areas undergoing forest regeneration after deforestation or degradation of primary vegetation. Given the ecological importance of SV and the ecosystem services it provides, information on its occurrence and characterization is crucial for public policies aimed at conservation, reforestation, and sustainable management. This document presents the analyses and results of the qualitative diagnosis of secondary vegetation in the Pantanal biome. Based on SV mapping conducted by the "Environmental Monitoring of Brazilian Biomes: Caatinga, Atlantic Forest, Pantanal, and Pampa" Project, a partnership between Funcate and INPE, from 2018 to 2022, this study provides insights derived from the calculation of fragment age and landscape metrics, including size, structure, and connectivity. The results describe landscape ecology metrics (area, core area, fractal dimension index, Euclidean distance to the nearest neighbor, and type of nearest neighboring vegetation), the composition of polygons concerning the land tenure categories of the Pantanal biome, and vegetation age. A total of 4,548 secondary vegetation polygons were analyzed, with areas ranging from 2 to over 10,000 ha, summing to 118,802.99 ha. There is a predominance of SV polygons with areas between 2 and 20 ha (81.33% of fragments), although the largest areas are found in fragments over 100 ha. Regarding core area, different border distances revealed distinct responses concerning landscape structure and the distribution of forest fragments within core area classes, highlighting the disparity in the proportion of fragments without a core area at 30 m (8 fragments) and 120 m (3,360 fragments) border distances. Most SV areas have primary vegetation as their nearest neighbor (89.95% of fragments; 95.99% of area), indicating a wellconnected landscape. In terms of age, the 4-year-old class stands out with a higher number of fragments (2,926 fragments; 100,064.86 ha), both in terms of count and area. Concerning land tenure categories, SV in the Pantanal biome predominates in areas without land registration (44.054%) and private properties (SIGEF Data) (38.618%). Analyses of this nature are important as a support for decision-makers and in the development of public policies, such as determining priority areas for environmental conservation and/or recovery. The presented results are a product of a partnership between INPE and the Ministry of Environment (MMA) to meet the Federal Government's demand for qualifying these regenerating areas, with a view to the National Native Vegetation Recovery Plan (PLANAVEG).

Fields of Study & Subjects

Environmental and biological studies Ecology and Vegetation Dynamics Studies Geography and Environmental Studies

Publication details

Journal / source
Biblioteca Digital da Memória Científica do INPE (National Institute for Space Research)
Publication date
1 January 2026
Language
PT
Document type
Book